De
onde estou posso ver seu corpo tremulando sob a luz; e a distância que nos separa. Posso ver sua silhueta que se configura a meia luz
instigando minha imaginação. Tu nem
saberia que existo não fosse o inconveniente dos meus olhos a
espreita mendicante direcionados onde recentemente te acomodas.. Talvez lhe cause ojeriza olhos
famintos que a observam. E por vezes cause-lhe aversão saber que vigiada,
penso. Se bem que as vezes penso que tu provocas como se a aquiescência de ser desejada projetasse em sua essência o instinto da fêmea que
aprecia ser. Repetidas vezes dirijo-me
a janela que me põe frente a frente com suas formas com o anseio de vê-la.. Encoberto
pela distância e pelos cuidados que tomo dos inconvenientes de ser visto e só me faço visto quando certo que ali estas. E
quando ali estás me ponho sobre a janela como se tudo fosse
uma doce casualidade. Talvez você desconfie desta casualidade constante que
de tão constante todos seus aparecimentos na janela combinem com os meus. E com
seus botões pensasse: este cara não tem o que fazer. Nem imaginando que o estar
ali fora um ato premeditado. Confunde-me
porque há dias que parece brincar comigo. Encena sua inocência para que eu
saiba que não és. Tira cautelosamente a
blusa acendendo as utopias da minha imaginação e a prontidão dos meus olhos. Protegida
pela penumbra que parece astutamente planejada e se insinua certa dos efeitos
que causa. Entorpecido ou desconcertado, quem sabe, oculto meu desalinho para não
ser pego na minha concupiscência. Porto-me as duras penas tentando manter uma imagem austera que não tenho. O que dizer da sua? Existe ou fazes um jogo
sabendo que olhos atrevidos se portam desejosos. Hoje porem algo mudou lacraste a janela que meus
desejos alimentava... Talvez notaste que a casualidade era falsa. Ou quem sabe agora a clareza lhe informara dos
acontecimentos simulados. Quem saberá o motivo que a motivara a ausentar-se. Vejo
pela fresta do meu ego que aquele prazer furtivo foi-se. E ficará adormecido até
que encontre conforto noutro encantamento singular.
someone lyke you
quinta-feira, 17 de maio de 2018
Flagelos
Flagelos...
divinos sobrevém
Aos que ignoram os avisos.
Aos que ignoram os avisos.
Se não ouvir o divino
Flagelos lhe sobrevém, é o destino.
Flagelos lhe sobrevém, é o destino.
A dor em forma de paga
A praga em forma de dolo
Para o desatino da almaA praga em forma de dolo
Não há nesta vida consolo
O fruto do pecado é amargo
Que pressuposto envenena a alma
Na hora divina do acerto
Irá pagar dividendos
Vislumbro itinerários vividos
A história retratada.
No caminho há muitos perigos
Diz a vida experimentada.
Os flagelos que lhe são impostos
Quando o pecado consumado
Um espírito é um encosto
Sobre um lombo cansado.
Vejo as portas do inferno
Se abrirem convidando a entrar
O corpo para alma é um flagelo
Difícil de controlar.
E quem espero nesta noite
Virá desvendando segredos
Chegou o dia do açoite.
A eles agora me rendo.
quarta-feira, 9 de maio de 2018
Frutos do coração.
Feche a porta do seu coração
E não deixa ninguém entrar
Não é a a melhor opção
Mas é melhor que chorar
Plantar a semente da decepção
Florescerá no tempo certo
O fruto amargo da desilusão
O fruto amargo da desilusão
Ferirá seu intelecto
Tenha em mente que a desilusão
Sobrevém em qualquer momento
No mal há contravenção
Definida num monumento.
Olha o mundo a sua volta
Verás que não é o unico
Que pegou uma nova rota
Que pegou uma nova rota
Ao se deparar com o submundo.
Há crises que parecem ficar
Então nos desesperamos
Então nos desesperamos
Sem no horizonte vislumbrar
O fim de nosso pranto.
O fim de nosso pranto.
Então abra a porta do seu coração
E deixa a luz entrar
Nem sempre é a melhor opção
Mas é melhor que não tentar
quinta-feira, 3 de maio de 2018
Onde se ganha o pão...
A japonesinha não tinha
o corpo característico da raça e sim um corpo abrasileirado: bunda grande, seios
chamativos e cheínha, mas não cheínha como naturalmente se interpreta ao ouvir a palavra. Era esplendorosa, gostosa de uma maneira que
os olhos se enchiam de malícias ao vê-la. Ao ponto de ser difícil olhá-la e não enlevar os pensamentos às delícias do
erotismo.
Só tinha um defeito, era casada. Claro, como não
poderia deixar de ser: as belas e formosas são fisgadas antes mesmo de
amadurecerem e ela fora fisgada cedo, cedo quando ainda tinha 20 anos. Agora já uma mulher madura, parecia nadar contra a
maré, sim, numa fase em que a formosura passa por uma metamorfose degenerativa
a oriental continuava com tudo encima e por onde passava cabeças se viravam para uma parte específica do seu corpo.
Um dia naquela empresa foi admitido um funcionário e ele, como o resto dos mortais, ficara encantado com a formosura da nissei. Não
só com sua beleza, mas também com sua simpatia que era igualmente encantadora.
Seu sorriso, aquele olhos rasgados, suas
curvas que pareciam serem redesenhadas até
o ponto de causar tormenta ao sexo oposto.
O tempo foi passando e quanto mais a conhecia mais o
rapaz alimentava aquela gana inexplicável para com ela. Todos sabiam que era casada e ninguém por
mais inquieto que ficasse se aproximava
dela com segundas intenções. Até agora. Este perdera o escrúpulo há muito e não se importou quando no momento que ela
veio lhe cumprimentar como fazia sempre, lascar- lhe um beijo na boca. Ela rubicunda reagiu com a
indignação peculiar de uma dama quando é violada na sua essência. Levantou a
mão numa reação espontânea e a acomodou
estampida no rosto do cobiçoso que se
curvou ao impacto daquela mão certeira.
No recinto
pequeno e cuja acústica favorecia não demorou para sala encher de olhos curiosos e estupefatos
pelo ocorrido. Ao verem a cena
composta pela japonesa corada e
contrariada e o outro com as mãos sobre
a face dolorida e marcada pela mão da ninja
desenhada no rosto, logo ganharam
o lance do que tinha acontecido. ´
Não houve reações de solidariedade só de
constrangimentos diante do quadro que
pairou por semanas.
As pessoas
receavam falar do ocorrido entre os envolvidos por ter sido
demasiadamente estranho, mas quando
nenhum dos dois presentes, o assunto corria solto pelos corredores em conversas que remetiam ao fato e com os
tradicionais bochichos em assuntos que dão o que falar. Assim, entre corredores e risinhos a galhofa ganhou o
mundo. Não houve viva alma que não soube do contratempo e caiu na zombaria, o que foi demais para o atrevido que por onde passava notava sorrisinhos maldosos e zombeteiros até se
tornar insuportável suas idas e vindas pelos corredores da empresa..
Não suportando tamanho revertério não lhe sobrou opção
a não ser pedir demissão.
Assim ficou
conhecido o ditado: onde se ganha o pão
não se tenta comer a carne.
quarta-feira, 2 de maio de 2018
Pergunta tola
Porque fazemos
perguntas quando sabemos que a pessoa alvo da inspeção não
responderá com a verdade. E, porque insistimos em saber aquilo que
ninguém em sã consciência revelaria. Ah, explico. Você esta
flertando com uma pessoa durante algum tempo já, e sem mais
explicações ela desaparece, fica distante e nos períodos que
costumavam conversar já não a encontra. A primeira vez você
pergunta se está acontecendo alguma coisa. Uma justificativa
nonsense é dada mas que não justifica nada – algo como: Estou
estudando. Dã! Ou: Estou trabalhando muito. Povo de deus, criatividade não é
pecado.
Já que quer deixar
alguém em stand by até fixar terreno num outro relacionamento,
sejamos mais criativos.
Mas, você tapado, tolo, incoerente,
continua querendo saber o que já sabe. Qual a lógica disso? Nestas
circunstâncias tire suas próprias conclusões, provavelmente ela
estará certa e se não tiver e a explicação for algo ruim como os
exemplos, esteja certo: há ratazana neste armazém e você vai ter
que amargurar um sumiço definitivo, caso contrário se insistir na
pergunta terá que engolir explicações fajutas como tais.
Não que
temos a intenção de jogo duplo ou da pretensão de manter alguém
na espera enquanto investimos numa relação paralela é que as vezes
somos surpreendidos por alguém que cai de paraquedas e nos vence
pela insistência. Estas coisas que combinam oportunidade mais momento certo juntos com a fraqueza carnal influenciada por um bom partido.
Um outro alguém que talvez nos encha de receios por ser mais jovem ou ser
casado, mas que nos pegou num momento crítico e não conseguimos nos desvencilhar e nem conseguiremos nos anos a frente. Fazer o que! São
as surpresas que a vida nos apresenta para que saibamos que somos
apenas parte de uma engrenagem no vasto repertório da pegação.
Deixa o barco correr não precisamos de respostas para perguntas já respondidas, basta aceitarmos e não julgarmos.Pois se estivéssemos do outro lado faríamos a mesma coisa.
OBS: Todavia, o bom senso indica que nossa conduta implica nas nossas conclusões. Então nada de precipitação.
OBS: Todavia, o bom senso indica que nossa conduta implica nas nossas conclusões. Então nada de precipitação.
sexta-feira, 27 de abril de 2018
Enigma!
Eu não podia ver.
Apenas ouvir. Voz masculina e feminina. O Assunto era nebuloso, quase inaudível. Ouvir era preciso embora não fosse nenhuma
bisbilhotice. Estava ali ao lado e as paredes têm ouvidos. - Passo álcool? Perguntou a
voz masculina. A voz feminina murmurou algo. Estendeu-se entre os falantes uma conversa de sussurros
definidas apenas pela diferença de graves e agudos. Até que de identificável surgiu um
óooooo! Quando alguém faz bem uma missão dada. Da voz feminina. Só me dei conta do que se tratava quando o
gorgolejar da água se ajeitou dentro do recipiente: o bebedouro.
terça-feira, 24 de abril de 2018
A formiga
Eu não conheço
nada sobre ela... Onde nasceu, quem eram seus pais, sua origem e o que pretendia.
Só sei que
vendo o que via, só chegava a uma
conclusão: cometeria suicídio. Isso era evidente. Olhava seu pequeno corpo carregando aquela imensa folha com pelo menos 4 vezes seu
tamanho que dificultava muito sua locomoção e a direção que rumava, ah, era certo, seria
fatal. Passei por ela as pressas e quase que instantaneamente calculando o
desastre. Deveria por acaso interferir no
desfecho que presumia? Quer dizer se a
salvasse, se a pegasse e mudasse sua direção ou retirasse aquele fardo dos seus
ombros, ajudaria de alguma forma? Quem
garantiria que novamente ela não se poria no iminente risco cujo final eu podia prever? Segui meu rumo, imaginando a cena... A rua que
ela começava a atravessar era movimentada, carros passando ininterruptamente e
ela a torto e a direito desafiando o imensurável e poderoso desfecho: chance zero de sobrevivência. Sim, um homem racional sem a
posse da visão, a dela era obstruída pela folha, teria alguma chance, não ela. Aquele pequeno
ser insignificante ser estava com seus dias, que já poucos, contados. A minúscula formiga na sua jornada, cumprindo suas obrigações dos
quais não sei porque tomava aquela direção estava à beira do seu abismo.
Nada
parecido com os passos tomados por nós seres humanos sabidos, sabudos, sabichões
que sabemos sempre que direção tomar.
Assinar:
Postagens (Atom)