someone lyke you

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Buscando a paz



O paz zelosa que em minha alma habita
Onde estas agora que minha alma frita
O paz que tanto almejo em calabouços
Ando surdo, perdido, sua voz não ouço

Andei em caminhos tenebrosos eu sei
Sobre turvas águas confesso, naveguei
A paz tão minha que naquelas águas
Agora perdida nos olhos deságuam

Além da paz perdi o rumo,  rumo em vão
Onde andarás o mundo, só na  escuridão
Os meus pés vacilam em bebedeiras
Hoje trovador flertando fronteiras.

A solidão galopa com sua espada
Pra me livrar  fujo em vil estrada
Em desespero tentando encontrar
A paz perdida que consigo  achar. 

DEUS deve estar cansado




O laboratório de exames estava abarrotado de gente.  Ao chegar e ver aquele monte de gente era desanimador imaginar o tempo  ali perdido. Procurando se orientar você  se informaria para saber  a ordem de chamada e,  outra pessoa no mesmo barco, senão uma das  assistentes lhe indicaria o local para retirada de uma  senha. Depois procuraria um local para se sentar  munido de paciência.  A observação do funcionamento meio que obrigada pela falta do que fazer lhe atentaria para  as pessoas, o atendimento e a dinâmica do ambiente senão por curiosidade  pela mera  abstração do estar ali presente, atento ao painel digital que indicaria  o próximo número de chamada que também determinaria o  tempo que  ali ficará, salvo contratempo que notaria acontece comumente em qualquer local em que o tempo parece conspirar contra.  Ali preso pela circunstância atrelada a necessidade  nada a fazer a não ser esperar... Os olhos vagueando entre um e outro, definindo a esmo a beleza dos presentes  e os que depois de você passarão pelo mesmo martírio,  a indumentária, a classe social e outros rompantes que sua mente em funcionamento vai observar furtivamente. Observará aqueles que aparentemente estão saudáveis e ali estão por obrigação para atender demanda de uma  empresa  e aqueles que estão capengando visivelmente,  os impacientes que lhe causarão impaciência ou uma critica e os que como você por motivos que só você sabe.  Alguns mais exaltados que outros.
 De repente você sai do seu mundo...E divaga: Deus, deve estar cansado. Com  sua onipresença observar tudo deve ser cansativo. Tantos laboratórios como aquele;  hospitais, agências bancárias, escritórios, restaurantes.,. e complemente com feitos mais pessoais:  casamentos, aniversários, churrascos e  vá adiante. Sempre as mesmas buscas, os mesmos objetivos.  Imagine você vendo o mesmo filme 40 vezes. A rotina das pessoas adoentadas, desesperançadas, gerações e gerações buscando o que chamam de sobrevivência sobressaltada pela rotina.  Acuados por uma enfermidade ou qualquer outra atividade,  ora buscando o prazer altaneiro, ora buscando assegurar um futuro mais estável,  ora planejando, ora tramando, ora se submetendo aos desmandos comuns da humanidade.  Sempre achando que somos especiais, contando que contamos com uma proteção que não temos e considerando que somos o que não somos.  Anos á fio geração após geração... Se infiltrando em guerras, clamores, petições. Mudando apenas o CPF mas com as mesmas indagações, aspirações e conduta. Para quem retém a capacidade de tudo ver deve ser tudo muito maçante.  Sim, Deus deve estar cansado. De ver e rever incessantemente erros e acertos de presenciar nossas futilidades, nossos quereres, nossos aspirações, nossos sonhos, nossos devaneios, nossas dores, nossas maluquices, nossos dramas, nossos anseios, nossos... Constatando que fazemos tudo igual  embora acreditemos que não. Ou você acha que é o único que passa por isto?

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Coração nao se brinca



Aceitei um convite pra brincar com você.

Sem saber o que ia acontecer
não se brinca com a emoção
Não se dilacera um coração







Este e um jogo perigoso
Que só faz sofrer e é impiedoso
Brincar de sofrer é um jogo extremo
como roleta russa ou tomar veneno 





Faça uma receita para alguém sofrer
Aceite um convite para brincar com você
faça de tudo para seduzir e enganar
Depois saia ileso sem ninguém reclamar  




Se,  rega o engodo ela fica dengoso

Se lhe da o poder ele fica famoso

Enraizado ele não  pode arrancar

Sem um coração ele machucar



Se quer brincar com o coração de alguém

Saiba que alguém pode tornar-se ninguém

Se,  cabe um conselho é melhor não brincar

Brincar com coração também pode matar.

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Mentiras que contamos



Reza o ditado: Mentimos para agradar  e mentimos para nos proteger... Mas, sabemos que mentimos bem mais do que deveríamos. Às vezes a mentira é o único recurso para nos livramos de uma situação que de outra forma comprometeríamos o relacionamento com quem não gostaríamos e com quem não devemos por prudência e por sabedoria. Mas, convenhamos não que se justifique,  mas, tem certas perguntas que nunca o deveriam ser feitas.  Seu chefe lhe pergunta qual foi o melhor chefe que já teve.  Você sabe que não foi ele. Mas, num breve escrutínio do que uma resposta errada poderia causar você se vê obrigado a dar a resposta prudente: Nunca tive um chefe melhor que você. Pra que criar um  redemoinho que por consequência ainda pode lhe trazer resultados negativos? -  Você é o melhor chefe que tive até hoje. Ainda que dos quarenta chefes que teve, se todos ousassem tal pergunta,  todos eles seriam seu melhor chefe. No dia do juízo final talvez precise de uma retratação, mas  de momento basta se safar de uma situação comprometedora. Nesta linha de raciocínio você pode imaginar onde  um namorado ou namorada inseguros podem chegar. Qual foi sua melhor transa? Um filme se passa pela sua cabeça que te remete a  ‘aquela’:  inesquecível e sempiterna, mas você ainda não perdeu o juízo, ok? Sem pestanejar nos segundos seguintes: Você, amor.  Sim, mentira? E daí! A última pessoa que você quer arrumar problema é com esta que lhe pergunta.  Nesta linha seguem:  você tem outra pessoa? Há quanto tempo não sai com alguém? Você já me traiu?  E aquela sua amiga que lhe pergunta quem é sua melhor amiga? Sim, estes tipos de  perguntas que   a verdade queimaria seu filme legal, mas que a mentira deixará você muito bem,  obrigado. É mentira!  Mas que pergunta hein! É o tipo de pergunta que a pessoa só pode querer uma coisa: a própria.  Seria o mesmo que você tentando impressionar mostrasse todo seu lado podre. Se, sua intenção não é afugentar qual outro motivo faria isto?  A mentira tem um que de superioridade porque  limpa sua barra. Você vai dizer que é feia, que é dentro do um contexto traição e etc. Claro que a mentira não traduz seus sentimentos e muito menos revela sua personalidade. Ou revela?  Bom, seja como for a transparência pode ser muito comprometedora se nesta de se safar você acabar sendo pego na mentira. O preço? Ser taxado de mentiroso e incorrer o risco de nunca mais ser visto com bons olhos. Deu pra entender que está em suas mãos; e que a prática da mentira é um recurso usado para amenizar a ira ou não ferir alguém, mas se revelada, se vier a tona,  tudo que não queria será exatamente o que terá   e com maior dramaticidade.

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

É assim



Se não gostas de mim
Eu não gosto de você
Se não quer falar comigo
Eu não falo com você.
Se me ignora eu ignoro você
Se de mim falas mal
Também isso sei fazer.
Se não vê o que eu falo
Presta atenção no que digo

Se me olha torto
Olho torto pra você
Se não me respeita
Eu não respeito você
Se grita comigo eu grito com você.
Se não me aceita como sou
Também isso sei fazer.
Se não vê o que eu falo
Presta atenção no que digo

Se sorri pra mim
Eu sorrio pra você
Se quer ser meu amigo
Eu também quero ser.
Se me chama pra uma festa
Eu também chamo você
Se me diz bom dia
Eu também irei dizer
Se não vê o que eu falo
Presta atenção no que digo.


A mais entre o céu e seus limites
Bem mais que a gente admite
Tudo é ação e reação
Senão tudo é bajulação
Se a raiva me absorve implode
E o amor me circunda explode
Siga sua estrada, o seu caminho
Nem tudo que se repousa é ninho
Se fizer fazerei ou ao menos tentarei
 Presta atenção no que digo
 

RÓTULO: BELEZA






Temos uma forma peculiar de reverenciar a beleza. Aquilo que achamos belo é formalizado pelos olhos, mas também pelo que aprendemos sobre o que é belo. Sim, a mídia nos impõe um  padrão que por sua vez tratamos de estabelecê-los a nós e a quem nossos olhos alcançam.
Ela não era o tipo de mulher: oh! Nem era o tipo que enchia os olhos... Não daqueles que arrebatam a atenção e fazem  tudo  mais ser preterido. Mas, chamava atenção. Era grande para uma mulher. O seu  vestido colorido  de cor exuberante  que estendia até as canelas era um chamariz para os olhos como se implorassem: olhem pra mim.  Um pouco acima do peso senão muito mantinha uma graça única que se,  seus olhos contrariassem os moldes de beleza e se  permitissem,  veria ali formosura. Um rosto jovem sem maquilagem não escondia sofrimento  mas não ofuscava traços delicados que eram  incompatíveis   com a tatuagem distendida do pulso até o cotovelo com o nome de alguém que indicava a maternidade. Vasta  e  abundante talvez não causasse o delírio daqueles que cultivam no corpo seus pecados ocultos, mas havia uma beleza platônica destas que a parte do desejo não se estabelece.   O pouco cabelo rebelde estava contido por um laço comum que mostrava sua origem humilde e  se ainda assim não claro para  um  observador comum,  o chinelo de dedos com um número inferior ao de costume não deixava dúvidas. Apesar dos pesares,  ali   havia uma excentricidade interessante que tentava dizer alguma coisa, não identificada, a quem por alguma razão, quisesse olhar.   Talvez a combinação do belo e do exótico ou talvez o fato da altura com o corpo avantajado, mas simétrico,  concomitante com o rosto pueril e dócil...
 É inegável a força da mídia para estabelecer padrões de comportamento e beleza. E  se por um lado esta  força  é imperativa, as vezes por um olhar mais apurado e desinteressado acabamos descobrindo que há beleza e belezas que representam a formosura além daquela que esbarramos boquiabertos. Estas nos fazem pensar e até admitir que a beleza vai além da imaginária etiqueta estampada: rótulo: beleza. 

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Não sou isso nem Aquilo



Quantos eu  sou?  Não um só.
De cada vez sou um, não o mesmo.
Como sou? Como  um nó.
Em cada camada um desvelo.

Como estou? Estou só.
Vejo como a solidão
Tem traços como o pó
Que enleva o coração

Nas fronteiras dos meus medos
Tantos,  sou no mesmo dia
Às vezes sou como me vejo
Às vezes como sou:  quimerasia


Não me julgue não me olhe
Como se conhecesse meus atos
Não sou dado aos moldes
Sou de DNA refratário.

Não me julgue não me molde
Sou fácil de ludibriar
Não sou anjo nem diabólique
Sou difícil de aturar

Mas não gosto que me enquadre
Que me possam interpretar
Neste jogo não me pode
Sou semente singular.

Sou de difícil conclusão
Sou doce e dado aos pecados
Sou misero de coração
E de conclusão complicado.

Mas, não diga que não amo.
Se por você já pulei um cortado
Dificulto qualquer plano .
Se o amor for complicado.

Não me  reduza a uma palavra
Quando seu ódio me cerceia
Se  lhe digo abra cadabra!
Pode ser que a lua é cheia.





Sei que magôo quem me ama
Entrego ouro como farinha
Se nas  minhas ações a fama
Eu não rezo aves Maria.  

Sou no fundo dissoluto
Faço de tudo para agradar
Quando sou pouco, sou muito
Para de vez não afundar

Não sou ouro reluzente
Não tenho dos homens a fama
Estou mais pra dissidente
Quando sobre mim a trama.

Se me chamas cafajeste
E quando rebato: canalha
Se por mais que objete
Sobre ti meu sangue talha

Sei que nobre coração
Cortado com a navalha
Sobre o altar da remissão
Sacrifícios são medalhas.

Não! Eu não sou seu inimigo
Quisera ser seu amante
Estarei sempre contigo
Mesmo se me quiser distante. 

Não sou isso nem aquilo
 Sou um ponto de interrogação
Nem uma grama nem um quilo.
Sou de um  todo uma fração
 

Se lhe provoco a ira.
Por não ser do seu reinado
Saiba que num novo dia.
Novo rei será coroado.

E serei apenas alguém
Que floriu seu coração
Muito mais do que ninguém
Muito menos que a pretensão.