Tenho tanta coisa que com ela
quero compartilhar...Mas, ela dormiu enquanto conversávamos.. A primeira
pergunta que me veio a cabeça. Virei i um chato.? Não percebi que ela estava
cansada. E que nao era apropriado falar naquela hora algo que reservara exclusivamente
para lhe falar. Tipo: Ela precisa saber
disso. Minha empolgação acabou de pronto. Pensando pelo lado positivo, consegui
fazer ela dormir. É, não sabia que tinha esta habilidade. Mas, enfim, acabamos
descobrindo cada coisa. Ainda que seja a
habilidade para fazer alguém dormir. Esqueça isso de conversas salutares, interessantes, cerebrais..Pra
conversas deste tipo fale com você
mesmo. Não que conversar sozinho seja
legal. Mas na falta de melhor Cia. Você tem que aprender se tolerar. Eu falei isso? Seria mais ou menos: Diálogo de um homem
só. Quando sua platéia dorme no ponto
crucial da história previamente selecionada
para contar: Oi, você está aí? Oi! Silencio puro. Do mais cristalino e original.
O vácuo. Um silêncio tão ensurdecedor que as moscas parecem feirantes tentando
vender seu produto. Você pode pensar que é final de carreira, ou como disse,
que você está chato, mas ao menos que
seja o toque das trombetas anunciando o
final do mundo é normal que aconteça. .Nós seres humanos somos realmente
esquisitos, basta a coisa não acontecer como esperamos que tratamos de mostrar nossos dentes como cachorro que se
sente ameaçado. Não corresponder as expectativas é o mesmo que repetir num
teste de emprego. Você não tem o perfil que procuramos. Mas, deixa seu currículo que entraremos em contato. Nestes casos parece que
toda nossa boa e velha sensatez míngua. E nosso senso de justiça e empatia acena de longe. Por
acaso você nunca dormiu vendo um filme? Você planejou a semana toda ver aquele filme que todo mundo comenta. Foi
na locadora, convidou alguns amigos, fez pipoca. O cenário perfeito. Entretanto
na melhor parte do filme, contrariando sua vontade, seus olhos simplesmente
fecham. Se assim, porque numa conversa alguém
não pode dormir? Só por que o maioral e dono do maior umbigo do mundo estava
falando? Eu durmo, você dorme, nos
dormimos, é fato! Não é o fim do mundo se no meio de uma boa conversa sua
amada, idolatrada, adormecer. Será que
sou chato? Será que perdi o encanto? Ei,
se liga. Dormir é divino. E uma função
fisiológica reparadora e quando tem vontade própria é sinal de que seu corpo
mortal e cansado dele precisa. Não é nada pessoal. Não fica achando que
consegue manter os olhos alheios abertos quando o sono chega implacável. Ainda
que você fosse o dono da cocada preta, não conseguiria. Acredite. Apesar de
todos argumentos que procurei pra mim, perdi a excitação de continuar a história.
Fiquei meio borocoxô . Apesar das
desculpas pedidas. Ficou um clima de: será? Voltou o clima de silêncio. Maior do que o diálogo. Quem foi que
disse que o silêncio não fala? O
silêncio fala alto. O silêncio leva-nos em segundos a tantos questionamentos. Faz-nos
buscarmos em nosso subconsciente assuntos, temas, histórias, situações. Todo isso
concorde com o assunto discorrido. Já reparaste como a mente tem uma sagacidade
nata? Podemos ter uma gama interminável de assuntos pra falar mas se a pessoa
que queremos compartilhar dá sinal de indisposição em ouvir não há diálogo.
Deflagra-se uma boa conversa quando não existe boa vontade do ouvinte. Como diz
a lógica é preciso dois para que aja um
diálogo, para que aja uma briga, para que aja um dueto. Dizem que ninguém é um
ilha, nada mais sensato. Mas tenho impressão que somos como uma cordilheira,.
Somos um emaranhado de seres dependentes um do outro,. Dependemos da
sociabilidade, da presença de outros.. Alguma coisa em nosso histórico genético
exige que convivamos e para não contrariar nos rendemos as nossas necessidades
inerentes ao desejo de nossa constituição mental. Mesmo porque fugir disso
significa ser desajustado. Nossa mente adoece, nosso corpo padece, nosso espírito
se abate. Aquele sujeito é esquisito? Oras, este é o preço quando não atendemos
as demandas da nossa primitividade. As pessoas sempre recorrem aos nossos
ancestrais quando precisam de uma explicação para nossas diferenças
homem-mulher.. Somos assim porque para a preservação da espécie o homem era
mais hábil caçador enquanto a mulher se ocupava de outras tarefas. Dando ao homem certas qualidades herdadas dos primitivos
caçadores. E para a mulher com sua percepção mais aguçada todo resto. Pior que
todo este dilema que desatei a pensar pode nem ter passado pela cabeça dela.
Que lutando contra o inimigo sono só queria comigo ficar. Que desperdício de lacunas
para um fato tão singelo..
someone lyke you
sábado, 4 de outubro de 2014
segunda-feira, 22 de setembro de 2014
A árvore cabeluda
No caminho que faço para o trabalho, nota-se durante o percurso a vasta gama de coqueiros perfilados como numa fila indiana por todo o
percurso. Beirando a rua lá estão eles, disputando palmo a palmo espaço com os postes . Eram bem pequenos quando Ana
nasceu. Agora começam dar seus primeiros
frutos. Logo, seus frutos poderão ser colhidos e saboreados ali mesmo. Do lado esquerdo dos coqueiros é possível ver um
exercito imenso de eucaliptos formando uma quadra intensa de um exército imóvel
inusitado... No grande descampado onde estão os eucaliptos, há uma variedade
abundante de pássaros, plantas, insetos, dando a
sensação que ao se passar ali está num pequeno parque ecológico. São tantos que
precisam de manobras precisas para que não colidam.. Da rua onde estão os coqueiros pode ver uma
quantidade considerável de pés de goiabas
que na época certa inalam um cheiro inconfundível das brancas, vermelhas prontas
para serem colhidas, oferecidas pela mãe natureza. Se seguir adiante pelo
caminho, dificilmente não observará ela.
Sim, a cabeluda. Minha filha a batizou assim. É difícil não concordar com ela. É uma árvore diferente
de todas que já vi. Suas folhas estão verdes durante todo ano. E ao vê-la
entenderá porque cabeluda. Folhas verdes em demasia dão impressão de uma
cabeleira . A primeira vez que ela me disse isso, ri,. Já tinha observado a
vastidão das folhas, mas só a mente de uma criança poderia fazer tal
comparação. Subíamos a rua descontraídos como sempre fazemos, quando minha filha falou:
Olha, a cabeluda! Criança tem uma visão
engraçada das coisas. Naquele momento foi como se aos meus olhos ela ganhasse vida.
Desde então sempre que passo ali, a imagino convidando-me para entrar no que imagino ser
um reino onde pássaros e outros seres
conversam como gente. Pássaros conversando sobre suas aventuras Outros que ali residem
cuidando da sua rotina e de seus filhos,
aproveitando para pedir roteiros de viagem aos viajantes que ali passam apenas
para aproveitar a sombra e descansarem antes de prosseguir ao seu destino. . A
hospitaleira então lhes fala um pouco da história dos transeuntes que passam
ali todos os dias. E o que aos ouvidos humanos pareceria uma algazarra de
pássaros cantando desordeiramente, aos ouvidos de uma criança seria um riso gostoso depois de escutarem a história
de um tombo sofrido por alguém observado pela
cabeluda. Imagino que ela deva ter muitas histórias para contar, anos, e anos
presenciando idas e vindas de pessoas
que caminham incansáveis pela trilha onde ela se encontra. Posso imaginar a
quantidade de histórias boas que não deva ter. Até eu e minha filha devemos
estar nos contos da cabeluda. Talvez até
para todos os que ali passam, aja um apelido que identifique a personalidade
de cada um. Lá vem o professor.. .Ah,
aquele é o risonho. Hum..Aquele homem quando começou passar aqui era só uma
criança. Olha só como está hoje!.. Esta aí, é a Ana Luiza, passa aqui todas sextas feiras com seu pai. Ela é toda
serelepe e tem uma disposição impressionante.
Outro dia seu pai passou por aqui e perdeu cinqüenta reais quando tirou
o celular do bolso. . Sabe, o pai dela é meio voado, as vezes olha pra mim e parece saber que
posso ouvi-los. Aquele é o seu
Manuel, passa aqui todos os dias fazendo seu Cooper. Ultimamente ele
anda meio devagar. É o joelho. Tento lhe
falar , mas ele não observa os sinais que tento dar.
Nesta época do ano, a cabeluda
gera umas flores vermelhas que parecem um cone,
não sei porque elas me causam certa apreensão. Sempre me vem na cabeça
que podem ser venenosas. Não sei.
Penso muitas vezes em entrar
debaixo da cabeluda para aproveitar sua sombra que nos dias de calor parece tão
convidativo. Mas, não deixo de imaginar
que muitos animais rastejantes devam se recorrer a ela nestes dias.. E também
um pouco de vergonha por imaginar que caso alguém note entrando ali, vá
imaginar que sou algum maluco. As vezes a inibição de parecer maluco nos
limita. Ultimamente tem acontecido uma revolução onde trabalho, o verde tem
sido substituído por prédios para atender a demanda humana cada vez maior. Fico
torcendo para que a cabeluda nunca sofra com este impacto. E que possa
continuar servindo de inspiração para outras
crianças. Sendo apreciada e batizada com
um nome diferente para cada uma delas. E para que possa continuar acumulando histórias
de tantos que por ali passam.
domingo, 14 de setembro de 2014
Dádiva gratuita
Um rosto lindo, simetria perfeita.
Tudo dado de graça . Difícil entender
como rostos bonitos se formam dentro do ventre. A primeira vista um casal
bonito gera um filho bonito. Mas, não é bem assim. Fato é que as pessoas ditas
bonitas têm uma vantagem sobre os outros. Eles já nascem com um cartão de
visita esplendido e que claro, encanta a quem os vê. É um encantamento espontâneo, só de olhá-los fica-se embevecido. Com estes
não é preciso o esforço da apresentação, a conquista dia a dia. Sua beleza
atrai magneticamente. Mas assim como
qualquer dom a beleza é uma dádiva. Não é obra de um pintor que pincela detalhes que lhe atrai, segundo seu gosto. Ou, a arte de um escultor que meticulosamente molda sua obra.
Como um poeta que encanta pela sua visão maravilhosa e detalhista e sua forma
peculiar de expressar palavras. Ainda, como um
compositor cujas melodias nos motiva, emocionam e nos faz chorar.
Ficamos admirados pelo talento. E ele ecoa nas mais diversas aéreas: no esporte,
astros como Michael Jordam que dispensa apresentação, Tiger no golfe, Pele no
futebol, Nas artes são tantos: Picasso,
Tarsila do Amaral, Michelangelo, Leonard Da Vinci... Temos gênios em todas áreas.
Mentes brilhantes que parecem se destacar fazendo pessoas comuns parecerem
idiotas. E assim como a beleza, puf, nasceram com suas aptidões. Não é incrível? Nascem dotados com qualidades excepcionais
que impressionam aos outros, mas para eles mesmos não há nada de genialidade,
assim como a beleza, é uma dádiva. Os nascidos com talentos especiais não fizeram nada para merecer tamanha habilidade. Engraçado que apesar de toda
genialidade, eles são pessoas extremamentes comuns, pois cada individuo é único em sua essência. Não há ninguém igual a
ninguém, em toda grande extensão do
mundo. O que também é irônico. Toda genialidade não faz do gênio uma ilha, dependemos das outras pessoas,
dependemos do sapateiro, dependemos do agricultor que planta o alimento, dependemos do pedreiro
que constrói as obras criadas pelo engenheiro, dos arquitetos que projetam
cidades elaboradas, dos médicos que tratam nossa saúde, dos pesquisadores que
descobrem novas formas de tornar o mundo melhor. Somos cercados de pessoas competentes com
habilidades necessárias para a manutenção da vida e todos contribuem para nossa
estadia na terra, adicionando a nosso intelecto motivação para nosso próprio
engrandecimento. Ainda que alguns contribuam para o benefício de poucas pessoas
enquanto outros, para o de muitas, não há como
medir a importância de um homem para as pessoas que realmente importam, pelos benefícios que ele causa ao mundo, a sua
comunidade, aos seus vizinhos.. Claro que não fecho os olhos ao que sai errado com
aqueles com enorme potencial , mas que não conseguem explorá-lo por motivos
variados. Um grande general morreu e foi
para o céu e quando chegou lá, perguntou a São Pedro quem tinha sido o maior general
de todos os tempos na terra. São Pedro apontou para um homem simples que
cuidava de um pequeno jardim. O
General indignado retrucou: Impossível, eu conheço este homem, ele era apenas
um faxineiro! Então seu Pedro indagou:
Ele seria o maior general se tivesse sido um..
Esta estória mostra-nos que todo ser humano tem seu valor único e
potencial para vôos altos quando as amarras emocionais não o aprisionam
fazendo com que sua própria depreciação
o torne prisioneiro de si mesmo. Talvez não nos foi concedido uma beleza
singular ou um talento impar, mas somos
singulares naquilo que somos: únicos. E como tal não é a beleza, nem o talento que faz um
homem, mas sim sua grandeza diante das adversidades.
sábado, 6 de setembro de 2014
Vigilância necessária
Um belo dia você descobre que não
é imortal. Talvez uma dorzinha que parecia nada, que você tratou com descaso. Não por relaxo, mas simplesmente porque por
algum motivo desconhecido tratou aquilo como algo passageiro. Seu instinto de
urgência não estava alerta para que aquilo fosse de real preocupação. Bom, você
deveria ter, mas não teve. Ou, foi
vitimado por um acidente incomum, sei lá, estava viajando para algum lugar e
numa ultrapassagem imprudente cuja
responsabilidade foi sua ou não culminou num acidente que agora faz você se ver
as coisas com mais cautela.Um familiar próximo que você conhece bem a história
e que repentinamente foi assolado por uma enfermidade. Há inúmeras situações que servem como um
despertador para chamar sua atenção para
a fragilidade da vida. Fragilíssima. E não importa quanto cuidado você possa ter ... Ainda
assim não pode tapar os buracos da fragilidade nem brindar sua vida de forma
que você esteja protegido do imprevisto que abrirá sua mente para o quão frágil
é. Costumamos ver a advertência cuidado frágil
em embalagens que carregam produtos que a manipulação inadequada podem-se
quebrar. Mas, muitas vezes agimos como se nossa vida fosse inquebrável. E
enquanto caminhamos para a maturidade parece que somos tomados por uma
redoma inconsciente de herói (síndrome indestrutível) e perdemos a noção do
quanto somos vulneráveis a esta nossa empolgação
proveniente da nossa jovialidade. Assim motoristas imprudentes arriscam suas
vidas e a dos outros levianamente. Assim nos embebedamos enveredados. Assim andamos com os pés descalços, tomamos águas
de rios, fazemos manobras incríveis em nossos skates, bicicletas... Claro, isto
não deveria nos engessar num medo sem precedentes coibindo nossa volúpia...
Infelizmente nossa cultura ocidental não nos prepara para as seqüelas do futuro
que nos assolarão por causa de nossas atitudes no presente. Um boxeador no auge
de sua carreira não pensará que anos a frente sofrerá de demência. Um jogador
de alta performance não pensará que sofrerá sérios problemas nos joelhos daqui
a 20 anos... Sei,sei, pareço um prenunciador de catástrofes... Não é esta minha
intenção, ela por sinal é advertir para o que negligenciamos por pura
ignorância. Você foi e comprou aquele
produto que foi indicado como o melhor do mercado porque seu vizinho disse que
era excepcional.. Mas você pensou ou
parou pra pensar em todos os aspectos envolvidos na aquisição? O produto é
cancerígeno, tem selo de garantia, foi aprovado como seguro pelo governo, é
seguro para seu filho menor, o valor está dentro do orçamento, ele será útil em
longo prazo, é funcional para sua família ou é apenas uma aquisição para saciar
a sua disputa pelo poder. Não é certo
que deveríamos pensar nisso quando pretendemos fazer qualquer atividade em nossas vida? .Não é certo que
deveríamos ter a perspicácia reflexiva em longo prazo para prevermos os danos
assim como os benefícios para nossa
saúde como um todo? Claro que isto não nos assegura e nem nos dá a garantida de
prosperidade, mas faz com que tomemos as devidas providências para assegurar
que anos a frente não amargaremos nossas decisões motivadas pelo esplendor dos
anos dourados onde parecemos imortais e nem trataremos com descaso aquela
dorzinha incomoda que se arrasta por dias.
Como pai temos grandes responsabilidades quanto a
pensarmos no futuro de nossos filhos. Meu filho não tem o hormônio responsável pelo
crescimento, mas se ele não tivesse um acompanhamento médico que indicasse
isso, ele não poderia ser tratado adequadamente. Este exemplo mostra o quão
vigilantes precisamos estar para minimizar os danos que ocasionalmente possam nos sobrevir.
Vale lembrar aquele velho clichê: É melhor prevenir do que remediar.
Simples, batido, mas, funcional.
domingo, 17 de agosto de 2014
DESAVENÇA
Relações humanas são necessárias
para sermos pessoas melhores, para nossa própria integridade, física, moral e
espiritual e para suprir nossas necessidades primárias de sobrevivência e
interação. Durante nossa curta jornada na terra, interagiremos com muitas pessoas,
algumas delas nos acompanharão durante
toda jornada, outras estarão presentes em parte dela, outros em curto espaço de
tempo e outros apenas de relance, entre
outras.. Comumente as pessoas que passam mais tempo conosco ficam mais íntimas,
exercem maior influencia em nossas vidas e, por conseguinte é possível que este
estreitamente gere conflitos de ordem
pessoal, de ponto de vista, contragosto, picuinhas, interpretações,
divergências... Segue uma lista imensa de fatos que podem criar atritos. E estas poderão ser sanadas por conta de uma reflexão
sabia ou podem resultar em uma inimizade perene. Comumente manifestamos nossa insatisfação por
intermédio das palavras, embora nossa linguagem corporal, para os mais
observadores, fale primeiro. As palavras são expressões advindas de nosso
coração e quando transtornado e
dependendo de nossa sensibilidade, autodomínio e bom
senso, externamos sensatamente ou
impulsivamente. Mas seja lá a forma que demonstremos insatisfação, sempre
esperamos que, principalmente as pessoas que gostamos nos ouçam e expressem
isso por meio de ações. Claro que existem situações que nosso
temperamento febril fala mais alto e expelimos com ira atos e palavras que
quase sempre terminarão em tragédias... Certo é que a desavença mina nossa
confiança, nossa resiliência. Quando abusamos indiscriminadamente da bondade
alheia ou quando fazemos ouvidos mocos para uma atitude que está afetando diretamente
alguém que gostamos e não fazemos nada para escutar seus clamores desgastamos o
sentimento que ela por acaso possa nutrir.
Infelizmente as vezes falta-nos empatia para assimilarmos um pedido de reavaliação
de nossa conduta que desagrada. Uma amiga cujo namorado era muito ausente,
falava repetidamente como interpretava sua desatenção. Mas, o rapaz
simplesmente não lhe dava a devida atenção.
Infelizmente a persistência nas suas atitudes desgastou
consideravelmente o que antes era um
namoro promissor. Foi como sua intuição revelasse que aquela conduta
influenciaria nocivamente a relação de forma que ela entendeu que se no presente aquilo era
motivo de pesar futuramente seria ainda
mais doloroso, seria mais notável e a ferida que já causava ressentimento se
tornaria uma chaga incurável. Precisamos dar a devida atenção para atos que possam
estar causando ruptura em nossos bons relacionamentos. Abusarmos da resiliência
alheia pode botar este relacionamento em xeque, arruinando a confiança,
dificultando um bom relacionamento.
Sabemos que uma boa conversa depende de sabermos ouvir e saber ouvir é
mais do que simplesmente escutar. Ouvir requer ação. A desavença é falhar no diálogo. E para que
aja um bom diálogo você precisa de uma qualidade que é adquirida pela sabedoria
, a perspicácia. Perspicácia é saber
ouvir o que se falou. É ter a agudeza
de espírito para notar quando nas palavras existem um clamor de atenção
exigindo mudanças no seu comportamento. As vezes o remédio para aprendermos
ouvir é a perda de quem gostamos muito, mas
que magoamos por não saber ouvir. Sobre a perspicácia ainda é preciso dizer que muitas
vezes precisamos ouvir o que está entrelinhas. Certa ocasião fui fazer um teste
psicológico para ingressar no meu primeiro emprego. Depois de uma breve
explicação de como fazer o teste, para se certificar de que tinha entendido a
instrutora fez o próximo comigo. Respondi errado, mas ela não falou nada,
embora seu olhar de desaprovação dissesse muito. O que fez com que eu
reavaliasse o teste foi sua expressão
reprovadora. Pensei mais um pouco e vi onde estava o erro. E depois daquilo o
resto foi suave. A perspicácia faz você enxergar a frente dos acontecimentos.
A desavença traz discórdia que podem minar nossas boas relações. Porque
não usar a perspicácia para escutarmos com mais empatia e vermos o que de
prejuízo nossa desatenção aos clamores alheios podem trazer?
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