someone lyke you

quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Desalinho





Que briga é Esta entre você e seu eu.
Que recrimina tudo o que aprendeu
A sua beira o tempo desbarrancou
E sua carne contida  desenfreou

Suas lutas agora abandonadas
Você sente-se quase que desesperada
Em seus conflitos e desvarios sedimentados
Os desatinos quase sempre liberados.

O seu corpo reclama do vazio
Que te ronda causando um desalinho
A sua fé você amortizou.
E noutras causas  o seu corpo demandou

Sente o vazio que não preenche a alma
Se está sozinha nada lhe acalma.
Em vis pecados procura o equilíbrio
Que ofertado aumenta o conflito.

A sua fé agora é sua espada
Quanto mais cede  mais mágoa
Abandonaste o caminho da verdade
Agora habitas entre trevas e inverdades.

O prazer tem efeito distorcido
Quando conforta é por tempo definido
E suas crises logo cobram o legado
E desconfia que existe algo errado.

Este vazio que na alma sangra
Coisa que o mundo oferece não estanca
E se debate esperando acontecer
O que um outro não consegue oferecer.



segunda-feira, 26 de agosto de 2019

O viés da ferida





A boca vai de encontro ao
Fruto maduro e doce
E este encontro guloso
Tem seqüelas ..
 em gotas
O liquido jaz na pinguela.

Vermelho como sangue cai
Confundindo seu espectador
E o som do gotejar visto a olhos nu
Traz lembranças de algo incomum.

Sangue é vida, da vida dada
 pelo fruto doce alimentada.
Vida doce  num doce apetecer
Ao que aos olhos pode transparecer

Tantos gotejares  em tantos momentos
Que faz qualquer momento um reencontro
De momentos que vivemos e imaginamos
Que um simples momento é o momento que estamos.

Tão pueril como um gotejar
De uma fruta com os dentes encontrar
Poderia ser um momento trágico
Transformando um doce num  amargo.

E quantas bocas desmistificam
O Canto no momento da  mordida.
E quão harmônico pode ser
O gotejar no mesmo momento
Do som a retaliar o pensamento.

O vermelho visto aos olhos
Pulsando marcando como relógio
A tessitura destilada da vida
Marcado num compasso o viés da ferida.

terça-feira, 20 de agosto de 2019

Lembrança afetiva.





Passava numa rua que me fez lembrar a infância. No canteiro central de umas das ruas que dava acesso as casas... vi o despertar do  passado no presente  em forma de flores:  um canteiro simplesinho dispunha  as mesmas flores no mesmo formato  do meu jardim do passado.   Remetido há pelo 20 anos atrás quando ainda era criança,  vislumbrei tão nitidamente o ambiente dos tempos ido. Foi um despertar tão real que as lembranças que estavam no recôndito da memória abriram-se como se um portal me convidasse a entrar.      É forte a forma como este despertar se aloja baseado numa cena presente que pela semelhança retrocede o tempo além do imaginável. E a restauração de momentos tão insípidos porque rotineiros que eram passaram sem a menor expressão,  mas que agora à tona,  faz com que tornem-se tão valiosos. 

Aproveitando o gancho expandi voluntariamente a viagem para resgatar outros momentos como quando enfiava um pedaço de caule de capim num buraco de formiga para alçar uma colada pelo  ferrão  na ponta da haste. Perdia horas esperando que alguma caísse na minha armadilha infantil.

 Hoje atribulado pelos afazeres quase não se dá importância aos legados do passado. Só quando surpreendentemente se depara com uma cena que de tão semelhante ao já vivido causa esta ruptura no tempo espaço.

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Tudo acaba





Se parar para pensar somos como uma garrafa de coca cola... A cada gole dado a cada copo que enchemos ele está mais perto do fim. Até que um dia não há mais nada. Acabou. 

Nossa vida é assim. A cada dia  vivido estamos mais próximos do fim. Só que quem,  aproveitando a analogia, bebe-nos  em goles, é o tempo.  Mas, não só isso.. Compramos um celular novinho e passado algum tempo já sentimos necessidade de outro.. Ele estragou? Não. O que houve foi que ficou desatualizado, há tecnologias nos modelos novos que o nosso não tem.  Então o melhor a fazer é trocar. 

Sapato acaba também. Alguns meses de uso, sendo otimista anos e logo, você mudou seu estilo e  achou melhor substituí-lo por algo mais fashion. Nem preciso mencionar os perecíveis que se descuidarmos temos que jogar fora  por passarem da data de validade. 

E a agua? A santa água.  Esta que somos tão dependentes... Utilizamos mal mas ela esta sempre presente em nossas vidas. Agua acaba?

Agora vamos partir para o campo emocional...  Amor, acaba? Pelo menos como amamos, sim. Embora neste item exista  controvérsias. Amor talvez seja o mais resiliente de todos os sentimentos, não este que causa tanta confusão entre homens e mulheres, as outras formas de amar.   

A ideia principal é, se nós seres pensantes deixamos de existir individualmente tudo acaba, mas a continuidade do mundo ainda é uma incógnita. Se por um lado temos os catastróficos nos alertando sobre os possíveis finais do mundo ha os religiosos esperando  a interferência divina quando o homem descomedido estiver ocupado demais para pensar nas consequências  dos seus atos.

 Sim, tudo acaba...Nossas ambições, nossos sonhos, nossa história. Nossa história, já que o que hoje é história pode ser manipulado ao bel prazer daquele que dá sua retórica.  Não seria de espantar se a frente estivermos cometendo os mesmos erros que hoje tanto condenamos. Quem sabe até questionando fatos históricos alegando que lá não estivemos para provar ser verdade.   Pensando assim será que moral acaba? Acaba.  Basta que deixemos de dar valor ao que hoje consideramos importante movidos pela onda louca do modernismo.

 Nos seres humanos criamos histórias morais com o intuito de ensinar nossos filhos valores, criamos leis que supostamente deveriam ser soberanas, se não fosse  nossas próprias artimanhas de querer burlá-las.  Não nos deixa mentir os próprios  doutores da lei que deveriam fazê-la valer mas, a adulteram visando seus próprios interesses. 


 Por fim, afirmamos  que nossa confiança também acaba. Acreditávamos na justiça, acreditávamos que homens podiam deixar sua ambição para tornarem nossa vida melhor. Que política era um jogo jogado, mas limpo.  Acreditávamos até que as pessoas que elegemos para defender nossos interesses nos defenderiam. E  acreditávamos que as leis eram para todos, háha. Como somos ingênuos.

 E pensar que quando crianças víamos aqueles personagens na TV, bem vestidos falando bonito e os dissociávamos daqueles homens que tínhamos medo. Acreditávamos que eles que eram os mocinhos. Enfim, acreditávamos até em mocinhos. Para explicar: Mocinho era aquele cara que fazia as coisas certas e que tínhamos admiração.