someone lyke you

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Olha o contexto



Um contexto tem berço
Ele não é o acaso
Ele não é órfão
Ele é sorumbático

Alguém o pariu
Ele não se inventou
Ele é varonil
Ele é bombástico


Não pensa que o contexto se ausentou
O contexto está ali pra explicar
A vida não lhe sabotou
Você colheu não adianta chorar.

O Amor acabou
Te fez chorar
É dor que se alojou
É difícil aceitar

Você aprontou?
Fez o que pra  nisso acabar
Se o contexto não notou
Melhor começar.

O contexto dá frutos
O que plantar ira colher
Uma árvore frondosa
Frutos bons há de ter.

Mas se não  rega e  não  cuida
Bom fruto não adianta esperar
A história não muda
O que plantou colherá.

Castelos do tempo



O tempo destrói castelos
Que não são feitos de areia
Castelos feitos de sonhos
De forma que viram poeira

Nas ruínas de nossos castelos
Vão-se nossas vaidades
Nos sonhos que  depositamos
A nossa mediocridade

Ingênua constatação
Seduzidos pelo poder
Refletida em nossa conduta
De a qualquer preço vencer

Semelhante a  rosa e sua  beleza
Murchamos com similar desprendimento
E os castelos que dantes valorosos
Vão-se como pé de vento.

E o  tempo  a vilipendiar
Tripudia de nossas aspirações
Faz troça de nossas  vaidades
Mofina de  nossas pretensões 

A  ampulheta do tempo é cruel
O que hoje enche os olhos com encantos
Amanha como nuvens no céu
Que disformes  vão se desgrenhando

E quem em varonil arquétipo
Pode se orgulhar do que o aguarda
Se no passado insiste em vier
O frescor da idade roubada.

Tempero lá.



O entardecer tem ares de despedida
Deve ser porque você mudou
E todo ardor da minha vida
Como flor murchou

O Entardecer está nublado
Deve ser porque  se esgueirou
E o sol tão esperado
No meu coração tardou

O coração está apertado
Parece um agouro esperar
Não estou desesperado
Mas ainda posso ficar

A esperança foi solapada
Deve ser porque  mentiu
Se a verdade  subjugada
A confiança deveras sumiu.

E esta dor que meu peito abriga
Deve ser mal do coração
Devo procurar um especialista?
Para tal desorientação?

E o coração em carne viva
De tantas intenções  salmourar
O  sal necessário a vida
Também pode matar.

Como José



Pequena ilusão de maleficências
Envolta  em reticências
Olha o campo verdejante
E são tantas flores interessantes

Sua canção é bonita
Como sereia  enfeitiça
Um querer doidice
Deusa da meiguice

Tantos querem teu amor
E eu não duvido
Eu mortal que sou
Também reivindico

E partilhamos sonhos
E partilhamos sons
E partilhamos fantasia
Até o que não devia.

E estou no limbo
Lamentando intenções
Deflagrando comícios
Minhas imposições


E sustento com sustagem
Minhas maleficências
Que crescem de coragem
E proficiências

Não sou senhor de mim
Quando estou  dobrado aos seus pés
E desejo  enfim
Ser forte como José.

Boas vindas a sollidão



No momento sou triste
Mas não foi  sempre assim
Se o tempo no tempo existe
A infelicidade não é tão ruim.


Triste  por um amor não vivido
Não vivido mas experimentado
Um coração pálido e lívido
No peito sacramentado


Dizem que há momentos felizes
Alternados  entre tristeza e solidão
Pra mim a felicidade parece um indício
De migalhas deixadas  no chão.

Há dias atrás estava feliz
O coração  estava repleto
A alegria pairava infinda
Mas, pra  solidão desejei boas vindas.

No mundo, tudo



No mundo que estou
Olhando pra tudo
Vejo que tudo é possível no mundo
Quando  vou lá no fundo
Mergulhando  no submundo
No mundo há de tudo
Pessoas com seus absurdos
Com seus sonhos  profundos
E os que se mantêm duros.
Com seus vãos discursos.



No mundo em que estou
A gente pra tudo
Os que  vagam avulsos
Aqueles que não param um segundo
E aqueles que ficam em cima do muro
Pra se sentirem seguros.

É um mistério profundo
Entender as mentes que andam no mundo
E as que vagam no submundo
E as que se perdem em interlúdios.
Diante das dores ficam mudos
Aguardando  desdobramento ocultos.
Para não ficarem malucos

Desconfio que se foram as chamas



Desconfio que se foram as chamas
Quando o vento forte soprou
Vento das Dissidências
Que a harmonia levou


E as fronteiras da harmonia
Colidiu com nosso orgulho
De todo espólio sobrou reminiscências
Que guardei neste embrulho

E divagam entre dilemas
Os pensamentos de outrora
E questão de sobrevivência
Deflagrar o que foi nossa história.

 E o pensamento discorre
Entre tantos burburinhos
Será que toda benevolência
Vai-se  quando acaba o carinho?

Esta dor que o   peito machuca
Não traz ternura  traz sofreguidão
Porque deseja ansiosa sua benevolência
Pra apaziguar o meu coração.

E por mais que deseje estou a esperar
Que o mundo repare o que abriu a ferida
Vede com bons olhos a minha inocência
Seja complacente te peço guarida.