someone lyke you

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Das janelas que veem meus passos



Das janelas os que veem meus passos
Vislumbram presente e passado
Naquele  ínfimo pequeno espaço
Que sob seus olhos passo.

E como estes,  estive a olhar
Outros que como eu vieram  passar
Sob  olhares  a escrutinar
Em diferentes óticas o caminhar

Não que tivesse a pretensão
De sobre olhos chamar atenção
Pois no tempo que  estive acolá
Só pensava em velejar

E o tempo se faz presente
Quando a rotina demarca meus passos
E nos dias que vão em frente
O presente  se faz  passado.

Outrora um  jovem mancebo
Arrogante  em pé aprumado
Sob a janela do tempo
Vai ficando curvado.

E os olhos que o seguem
Distraídos não percebem
Que aquele momento  no espaço
Perde-se quando dou mais um passo.
[.

Pois cada passo no tempo
É um segundo a menos
No tempo apressado
Que impõe  seu legado.


Esta é a magia do tempo
Que sem ter menor pretensão
Vai desdobrando o momento
Unindo olhos atentos a desatenta visão.






Bate em mim tamanha apatia



Bate em mim tamanha apatia
Foge-me a vontade de viver
Minha mente que é meu guia
Saturada  a se perder

Um vácuo faz-me longe
E a realidade parece cruel
Perdi o rumo ele se esconde
Os pensamentos vão-se  ao léu

E vejo tantas avarias
Frutos da minha frustração
Minha cabeça vadia
Penúria é constatação

E o mundo rodopia
Será que o mundo acabou?
Acabou a utopia que trazia alegria
A fonte da água  secou?

E meus dias consequentes
São só dilacerações
E meu corpo dissidente
Ressente das minhas aflições

E as noites tornam-se dias
E os dias ficam sem graça
Distante eu vejo a alegria
Tristeza é minha comparsa

Declame  o meu revés
Dobro-me em servil escravidão
Capacho aos seus  pés
Pedindo o  seu perdão

Mas se seu coração voa livre
 Não  se resignará
Ainda que no peito estime
Tal ato considerar

Espero por um milagre
Seu coração ser só meu
Livre-me deste impasse
Renasça o que se perdeu.

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Razão, coração...



O coração reclama
Como reclama a razão
O coração por seus motivos
A razão eu não sei não.

A boca anseia os seus lábios
O ouvido a sua voz
O corpo anseia seu corpo
E a razão é tão algoz

As palavras secas não falam
Não encontram ouvidos atentos
Ouvidos atentos? Não seriam capazes
De ouvir os meus lamentos.

Eis que o vazio é meu vizinho
Mudou-se de  mala e cuia
A casa que antes alegria
Agora jaz espúria.

E os dias são lentos
Rápida a indisposição
Se,  conhece o contratempo
Sabe que tenho razão.

A esperança comprometida
Vai de longe quase sem vida
Muda, seca, dolorida
Causando no peito feridas.

Vai a mente castigando
Os pensamentos descarrilando
A dor, amargura e o pranto
O sorriso desvencilhando.

Ou o sorriso vem sem graça
Mostrando todo tormento
Se a dor viceja na praça
Ta me matando por dentro.


IRMÃO




Hoje faz alguns dias que uma vida se foi. Era alguém de suma importância ... Na vida de alguém. Tinha filhos, tinha ex mulher,  tinha muitos problemas pessoais e muitos vícios. Este último  contribuiu muito para o que culminou na sua desencarnação. Não podemos definir nosso trajeto de vida, mas uma vez que nosso comportamento começa capengar  para  lado  errado   presumimos que chegaremos onde nossas inclinações nos levaram. Claro que impossível não considerar que os imprevistos, as intempéries e outros acontecimentos  ajudam completar nosso destino. A palavra destino me parece tão incerta já que  a ideia de destino é predestinação.  Acredito que nossas crenças fazem-nos céticos quanto a outras  saídas senão o destino.  Temos nossos dogmas, convicções e crenças que influenciam a forma que encaramos o destino mas, me parece tão injusto que nossa história esteja previamente traçada, como que  manipulados  sem termos o  direito de exercer o livre arbítrio - Se bem que até nossa  liberdade é cerceada por nossas ambições, vícios, fraquezas,  amores, promiscuidade só para citar algumas e estas influenciam bem mais do que o que  chamam destino e  estes nos tiram da rota de um caminho   promissor. Queria tanto dizer que ele foi um bom homem, mas torço o nariz ao tentar encontrar uma forma justa  de descrevê-lo. Talvez mais severo que Deus, endureço minha cerviz e reconheço minha  insignificância.  Posso dizer que foi um bom irmão enquanto seus demônios não o atormentavam, chamo demônios todos aqueles que o aprisionavam e  sufocavam sua personalidade original. Lembro-me de tantas e tantas vezes que juntos fazíamos coisas bem legais  como quando nas rodas de samba que eram divertidas, os jogos que me orgulhava de vê-lo jogar entre outras.  Hoje me pergunto o que foi que nos afastou... Orgulho, diferenças pessoais motivadas por conclusões erradas e infames ou a quebra de algum mandamento que deveria honrar os irmãos?  Sei que fui um péssimo irmão e  pior do que  se podia esperar. Agiria ele tão infamemente como eu? Duvido. Ele tinha um coração leve, uma mente mais amistosa, um coração mais cordial. Talvez por não poder fazer uma homenagem decente  sinto que deveria me remir ao  silencio absoluto abstraindo desta dor invisível que me  cobra aquilo que não fiz  quando se fazia  necessário por falta de sentimento, de urgência, de visão e principalmente pela descrença de que ele era apenas um ser mortal imperfeito e que como tal vítima das próprias imperfeições. Infelizmente é na morte que encontramos remissão dos pecados e que nos tornamos puro novamente como deveria ser. 

Ponto e meio



Um tom, um tom e meio
Reflexão, reflexão e meia
Discórdia, discórdia e meia
Um ponto que desfia a meia

Sonho que enche o travesseiro
Um nó que agora é  entrevero
Pensamento que vira perturbação
Sob o manto da contradição.

Noite que passa a ser  dia
Dia que vira tortura
A alma que outra atura
Quando o amor é quase desventura.

Nuvens que  choram
A visão que  vira   cegueira
A esperança que é passageira
Nesta viagem sem eira nem beira

Um ponto que é quase um desgosto
Na semântica que se mostra tão ambígua
Vou encarando a morte como a vida
Nesta batalha de paz dividida.

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

INSTINTO




Vamos disputar uma corrida? Garanto que esta  você vai perder.
Seu adversário será seu instinto. O cara é rápido e põe rápido nisso...  Bolt, pareceria uma lesma perto dele e,  numa corrida entre sua razão e ele seria uma barbada.
Se você já levou um baita susto ou sentiu fome, ou ainda levou um tombo as coisas só não acabaram pior porque ele se sobressaiu e protegeu você do pior. Quando em ação não tem pra ninguém, só da ele. Se ainda não se convenceu premedite dar um susto em alguém e notará uma reação um tanto estranha de um corpo e mãos estabanados tentando proteger  partes vitais. Tudo isso de uma forma bem hilária aos olhos  de quem vê.
Outra forma de  perceber sua agilidade comparada a nossa razão é quando se está com fome. Toda sua postura perderá o sentido se o caso for de vida ou morte, nestes casos seus instintos agirão de forma incontentável.  Você literalmente cairá de boca no que aparecer  comível.
  Nosso instinto  não fala  ele grita quando o assunto é sexo, diante dele nos comportamos mal e até que  nossa razão se posicione agiremos como bicho no cio.
Nosso instinto é implantado antes mesmo que comecemos a raciocinar -  a forma que agarramos inconscientes,   as mamas de nossa  mãe não deixa dúvidas quanto a  isso.  Ele é o mesmo presente nos insetos,  animais  e até nas plantas. Se colocássemos todos nossos atributos intelectuais para trabalhar  contra nosso instinto  ainda assim perderíamos com um corpo e meio de vantagem. Sim, tudo indica que nosso código genético vem previamente definido com a finalidade de preservar  exclusivamente a vida   e nossos instintos disparam sensações e ações  que vão de medo a promiscuidade para assegurar este objetivo. Mesmo quando parecemos monges  diante do clamor da carne quando atingidos pelo comichão instintivo de sobrevivência somos da extirpe de  uma barata.
 A grande verdade é que não temos motivos para nos gabarmos  por sermos seres racionais, aliás temos, somos os únicos que fazemos as  besteiras sabendo que  as fizemos.  

REFLEXÃO LONGÍNQUA





Numa corrida rotineira, coisa que ele fazia a mais de 15 anos de repente sentiu uma indisposição, faltou-lhe ar, o que era estranho, pois  era uma rotina executada sem muito esforço  pela força do habito. Aquilo que naquele dia foi considerado uma indisposição tornou-se preocupação dias a fio. Marcou um médico para ver se havia algo errado. Havia. Uma insuficiência renal originada quando criança num acidente por ele relembrada enquanto escutava o médico sugerir possíveis causas,  remeteu-lhe num acontecido que justificaria  a triste realidade.
 Somos acometidos por muitas surpresas no decorrer da vida. Passamos aborrecimentos, sofremos vários reveses, ruminamos problemas triviais como se fossem vitais, enchemos nossa cabeça de dilemas e causas que poderiam ser encaradas mais levemente e não como se fossem terminais... E nestes momentos presentes jamais imaginamos que estes podem estar contribuindo para futuras  enfermidades.Talvez nossas dores hoje sejam resultado de mágoas acumuladas, frutos de um  coração  ressentido, situações  emocionais que causaram infelicidade e  preocupações. E agora ali na frente de seu médico escutará a narração do quão prejudicial foram as dores do coração para sua saúde.  E que todo seu labor pela fama e pelo dinheiro foram em vão e não contribuíram  em nada para sua felicidade.  Se seus problemas causam angustia,  desespero e  um aperto no coração está na hora de se reposicionar na forma que os encara. Deixar isso pra amanha pode ser muito tarde.