someone lyke you

quinta-feira, 16 de abril de 2015

O tic tac do relógio



O tic tac do relógio é decepção
E cada segundo parece uma eternidade
E para cada item de felicidade
Um item  de desilusão.

E os porquês pipocam em todos os lados
Velhas lacunas, velhos rivais e o atual
Fantasmas da coerências e os da incoerência?
Diante do caos
E das  reticências

As noites de paz tornaram-se refrão
De melodia de dor ao coração
E a espera dilacera
Estou te esperando sob a janela

E assim que vivo
Cada noite um ritmo
A espera da redenção
Esperando no  impossível satisfação

Ingenuidade, comodidade, paga?
Mais porquês na minha salada.
Um vitupério a minha razão
Que repleta de mágoa
Quer mais uma demão

Nesta estrada  há dois caminhos
Um da lógica outro do coração
Em ambos escrutínio
Em ambos vastidão


Se me estribo na lógica
Machuco o coração
Se me estribo no coração
Não tem lógica

Porque as horas de   redenção
São tiques de decepção.


 



domingo, 5 de abril de 2015

Ainda nao compreendo.



 Como eu,  uma legião de homens não se conformam com os desígnios da morte. Não entendemos porque admirados com tanta criatividade e inteligência, admirados com o talento,  achamos desnaturai até injusto quando uma mente admirada vai definhando, definhando  e a não ser por conta de um imprevisto que são muitos, a velhice e a morte os tomam. Não conseguimos digerir o fatídico caminho que percorremos incondicionalmente.  Não é previsão  é iminência,   não é escolha é imposição da vida. Não é sentimentalismo é fato, duro, cruel, desumano. Sim, por que como se explica nascermos tolos, e a vida nos atribular em toda nossa trajetória, impondo-nos sujeição, impondo-nos medo, incertezas quando a única certeza que temos é a morte.  Desde nosso nascimento tudo é incerto:  o que seremos, se sobrepujaremos as inclinações medíocres de nossas raízes, se nos sobressairemos dos nossos iguais  num mundo de diferenças, sociais, teocráticas, culturais e se,  conseguiremos nos desvencilhar das nossas inclinações limitadoras e divertidas para impor-nos a disciplina necessária para dar um foco de  luz as nossas ideias.  E quantas pessoas se fizeram enxergar por intermédio de suas obras, de seus pensamentos, das suas descobertas, etc. Tantos e nenhum porque há tantos cuja obra nos enche os olhos, mas que nada sabemos de como construíram seu arsenal  intelectual  ou se  este foi meramente um presente divino  ou causa da forma única de ver a vida, ou ainda,  uma capacidade inata de  captar  um momento considerado irrelevante por muitos mas que alicerça tantos outros que possam vir a ser o pilar de outras. Talvez  a postura tenaz diante de uma incompreensão ou, a inquietação diante de uma ideia  preconcebida  por uma outra mente que não teve tempo para ver suas ideias florescerem.  Quando vemos cabeças privilegias galgando rumo ao nosso incondicional desfecho, bate uma inconformidade, bate uma sensação de fragilidade, porque quando alcançamos um patamar de realizações  estamos no cataclismo da vida, caminhando para o berço da morte.  Talvez possamos nos estribar numa frase de Fernando Pessoa para desfrutarmos algum conforto diante de uma trajetória  insignificante:  Tudo vale a pena, se a mente não é pequena. Fico com a  impressão que a  que a vida é mais que isso.

terça-feira, 31 de março de 2015

Dando a volta no ressentimento





Mãe e filha revelavam um clima pesado entre elas. Era tão visível o clima de hostilidade que até um desconhecido notaria. Nenhuma palavra era proferida. Os olhos abaixados da mais jovem diziam sem palavras que estava fula da vida. Dado momento a mãe desconfortável pela situação levantou-se  e foi  sentar-se   noutro lugar. Procurando um alívio para o estressante desconforto do momento. Ninguém gosta de uma situação desconfortável. E este relato demonstra que mesmo numa relação tão próxima, tendemos fugir daquilo que nos aflige.  O motivo do ressentimento não era descritível, mas ele estava ali no ar, visível, marcante... (quando se está a mercê do rancor há uma predisposição para violência como se sob o ar existisse os ingredientes certos  faltando apenas uma faísca  para botar fogo no ambiente)  nocivo. Sentimentos ruins nunca vêm sozinhos. Nele se sustenta outros que se alojam como parte dele e outros que  virão pelo clima que nele perpetua.  
Quando se está bem com alguém se passa tudo por alto, mas quando existe alguma coisa gerando indigestão, tudo parece incomodar e beira    um desentendimento gratuito.
Que importância tem isto se é a coisa mais comum do mundo? Desentendemos-nos depois perdoamos... É  assim.  Ao menos deveria. Eu conheço irmãos  que por conta de um desentendimento não se falam há anos. Mas, isso vai além: pais e filhos que não se falam mais. Motivados  por um ressentimento que, as vezes,  nem faz mais sentido. Sabemos que o ressentimento é prejudicial, mas nem sempre sabemos lhe dar com ele.  É como se fosse um mal imposto por nossa personalidade e nossa reação fosse apenas um gatilho disparado por conta daquilo que nos ofendeu. E se é assim entre relações consanguíneas tão fortes imagina quando não. O problema da amargura é que  se torna um mal comportamental. Isso quer dizer  que o que antes era com alguém da família agora passar ser com todos com quem ficamos ressentidos.  Resultado? Problemas cardíacos, doenças crônicas inexplicáveis.  O constante impacto do ressentimento ao seu corpo não passa incólume. O acúmulo de pequenas magoas, anos a fio,  cria uma massa sedimentada resultando numa reação  no  seu corpo. Isto explica porque muitas pessoas que cuidam tão bem da sua alimentação nos surpreendam quando vítimas de alguma doença inexplicável. Ingerem boa alimentação, mas não cuidam de alimentar bem o coração.  É como seus corações estivessem cheio de buraquinhos da mesma forma coma as brocas fazem com algumas leguminosas. Deixando uma marca perene registrada  como quando se  tem uma doença no sangue. A cura para todos os males do coração está em você se conscientizar que há certas atitudes que minam sua saúde e,  não se acomodar com o: eu sou assim.  Somos mutáveis.  E porque não lutarmos contra nossas tendências pecaminosas que nos subjugam impondo-nos um fardo adicional de males que podem ser extirpados pela mudança de postura?

sexta-feira, 27 de março de 2015

A altivez do homem dobra-se



A altivez do homem dobra-se diante da morte
 Pois diante da morte não há ilustres ou nobres
Todos iguais:   ricos ou pobres
Diante da morte o homem dobra-se


Diante da morte até os imortais
São gente
Vão-se  os anais
Morre a semente

O homem e seus sonhos parecem grandiosos
Mas na cidade dos ossos
Nada se realiza
E tudo termina em pizza.

A altivez do homem dobra-se diante da morte
Porque pra ela o nobre
É como o roto
Onde cabe um, cabe o outro.

domingo, 22 de março de 2015

Porque eu sou da noite



Para você eu sou da noite.
Quando não há mais nada a fazer
Sou seu vício que na calada da noite quer ter
E me remete em teus lençóis esbaforida de desejos
E na calada da noite te vejo
Dissipando as trevas que o dia me cercou
Amenizando  desconfianças que sua ausência me causou
Dissolvendo  indagações
Fugindo do submundo de escuridão
Rechaçando teorias que a luz ressaltou
Nos seus braços há combustão
E qualquer palavra é um laço
Para as rédeas que  me submete capacho
Porque eu sou da noite
Alimentando esperanças indefinidas
Curando dolorosas feridas
Que o dia me causou
E as redomas e diretrizes caem por terra
E renascem proliferando o que deu origem as trevas

segunda-feira, 16 de março de 2015

Aprendizado



 Quando criança passava oras admirando os enormes  portões  que eram feitos na marcenaria  no lugar onde passei minha infância. Ficava boquiaberto  ao ver toda  aquela riquezas de detalhes talhadas em  madeira. Isso fez com que quisesse  ser marceneiro. Na verdade tinha duas aspirações: uma  era  ser marceneiro  a outra,  ser tipógrafo.
tipografia era minha outra paixão.  Admirava com igual empolgação cartazes e panfletos ali feitos  e tinha muita curiosidade em saber como era montar aquele emaranhado  quebra cabeças de letras e  depois ver como resultado final aqueles cartazes perfeitos  inicialmente retratados num molde tão feio.  Enfim,  quando chegou a época de escolher minha primeira opção foi a  marcenaria. 
 Meu primeiro dia de  trabalho não foi como esperado. Em vez da concretização  fantasiosa dos meus sonhos,  deram-me  uma vassoura.  Sim, isto mesmo, uma vassoura.  Eu limparia a marcenaria.  Senti-me traído. Cadê os portões? Quando começaria mexer com madeira de verdade? Pensava.   Fiquei  muito decepcionado.  Naquele dia o sonho de  ser marceneiro morreu.  Tirar serragem definitivamente estava fora dos meus planos.  Achei que aprenderia mexer na serra elétrica e na  lixadeira,  que há muito sustentavam meus sonhos, resmungava.  Assim, decidi   que não voltaria mais ali.
 Me restava então a tipografia. Os tipógrafos estavam sempre tão limpinhos com aqueles jalecos azuis que  os deixavam com um ar de  pesquisadores e,  não precisavam  remover serragens. 
Olhando pra trás e relembrando os fatos concluo que me  faltou resiliência.  Deveria ter tido mais  paciência e ter compreendido que tirar serragem era apenas o primeiro estágio de um aprendizado. Deveria  ter vivenciado a experiência.  Deveria ter entendido que antes de poder pensar em fazer os grandes   portões  teria que galgar um longo caminho. Deveria  valorizar  todas as fases da engrenagem que é uma marcenaria,  até que tivesse apto para seguir adiante.  
 Me arrependo muito de desconsiderar esta  importante etapa da minha vida.  Não se deve pular etapas da vida. Quando eu fugi por estar decepcionado eu fugi de aprender cada um destes passos importantes para qualquer bom profissional.  Se eu pudesse voltar ao passado eu voltaria exatamente ao  meu primeiro dia naquela marcenaria e curtiria encarar aquela serragem com muito gosto. Assim como fazíamos  logo após o expediente. Trocávamos de roupa e corríamos empolgados   para virar cambalhotas naquela montanha de serragem macia, que certamente antes de mim, alguém colocou lá. 

domingo, 8 de março de 2015

Você está certo disso?



Aquilo que não entendemos será sempre uma lacuna incomoda e difícil de aceitar. Afinal somos seres pensantes. Tudo tem que ter lógica, sentido. Lacunas abertas são sinônimo  de incompetência. Conseguimos explicação lógica para cada diagrama,  mistério e  enigmas que o tempo colocou a nossa frente: descobrimos que a terra tem 4,5 bilhões de anos,  qual a velocidade da luz e  suas diversas formas e uma infinidade indescritível de coisas. Damos sentido,   a origem da vida, desmistificamos o que nossos antepassados atribuíam a  forças divinas superiores.  Parece que nossa mente está desafiadoramente quebrando espectros sem apoio científico. Isso tem elevado o homem a descobertas cada vez mais significantes dando respaldo satisfatório para sua lógica.  Pra tudo precisamos de lógica, assim como na ciência, lacunas não são permitidas no nosso cotidiano e no trato com outros.  Se,  tropeçamos numa cômoda em nossas casas, logo damos um jeito de mudá-la de lugar porque como para você,  ela será um obstáculo para outros que ali frequentam. Pensando nisso, óbvio que adotamos posições simétricas e seguras para nossa comodidade. No  trato com outros não é diferente. Nossa mente racional está ali para dar sentido as coisas.. Assim, se a pessoa nos olha feio, entendemos que estamos desagradando, se um desconhecido nos dá um sorriso, entendemos que é amistoso, Se a pessoa é sempre grossa quando se dirige a nós, entendemos que ela é assim com todos. E a cada situação que nos é familiar damos um sentido segundo aquilo que vivenciamos. Claro que isto nos resguarda e nos orienta dando sinal verde a situações favoráveis, amarelo aos que desconhecemos e vermelho para aqueles que não aceitamos. Natural que torçamos o nariz para o desconhecido. Diante do desconhecido ficamos retraídos, seja um ambiente, seja uma pessoa, seja um alimento. Aprendemos ao longo do tempo que precisamos de cautela ao lhe dar com o desconhecido. Cautela que nos assegura de  não nos darmos mal. Mas, nem tudo é um mar de rosas quando nossas teorias avançam indiscriminadamente dando lógica a tudo. Sim, podemos errar. É difícil, por exemplo, não julgarmos uma situação inusitada com suspeita  como uma transgressão.  Logo se pensamos numa mulher cercada por um monte de homens,  pensaremos se dentre eles não    quem não queira  mais que uma relação de trabalho, e por conseguinte duvidaremos da índole dela. E quanto mais lacunas abertas houver mais teremos certeza que aquele nosso  pensamento estava correto.  Então, nestes termos o que era uma suspeita passa ser fato, um fato incomodo. Porque certeza, certeza mesmo  não temos mas as evidências estão ali para nos assegurar apesar de uma pequena margem de dúvidas. Isso porque conhecemos a natureza humana, sabemos que homens flertam com mulheres e sabemos que mulheres cedem quando encantadas, e,  que embora talvez tenham compromissos com outras pessoas,  termos presenciado e constado, ao longo da vida,  tantos  casos que acontecem,  terminando eles em tragédias ou não, que simplesmente não dá para não pensarmos na viabilidade dos fatos. Então o que fazemos? Entregamos esta pequena margem de erros à intuição. De fato, nossa natureza desvendadora acaba nos seios da intuição que muitos nem acreditam que  tenha  alguma lógica. Assim como no passado fenômenos  inexplicáveis eram atribuídos a deuses, ainda que em pequena margem  serve-nos de base para nossas certezas. Claro que não somos  tolos e no final das contas  juntar um mais dois  é tão lógico, como se fôssemos testemunhas ocular, mas nem sempre e nem em todas circunstâncias é assim. Em contrapartida parecemos tolos quando desconsideramos os fatos das evidências. Acho que porque a ciência é um pouco intuitiva também.  Certo é que quando encontramo-nos numa lacuna ficamos incomodado, e mesmo sem a luz de ciência alguma precisamos saná-la porque a incerteza mina nossa lógica até daquilo que acreditamos.