someone lyke you

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Divagando



Jogo de palavras que matam
Sentimento diluído eu sinto
Eu vou tentando o salto
Porque sozinho
A solidão reflete a alma
E vai me confundindo
A mercê dos meus devaneios
Pareço um menino
E se não falas
Vou deduzindo.
E os medos se manifestando, guerreando
Vou me redimindo.
Mas em segredo a alma não se cala.
E entrementes submisso
Um desacerto, sim, conclusão maledicente
Esta dor que vai o peito comprimindo
E falo, falo:  é o falo, é o falo.
Indignado mas nada conseguindo
E  num instalo vem o desacato
Expurgo o mal me exprimindo
E as palavras como bumerangue atingem o alvo.
De todo mal me aspergindo
Provo o caos,
estou saindo
Apago a luz, me prostro
Peço perdão pro infinito
E  o coração duro como pedra
Como sabão se diluindo
Estendo a mão procuro redenção
Os meus pecados assumindo
Faça-me bom, faça-me sábio.
Vou concluindo.
O coração e o que falo
Estão me denegrindo
Na escuridão tudo tão claro
O sentimento é genuíno.
E nos seus braços me calo
E tudo retorna fluindo
Como Sísifo desesperado
Recomeça o estribilho


domingo, 19 de outubro de 2014

Subordinação



Tratamos a palavra subordinar ao que me parece,  numa relação chefe empregado, dominador  submisso.. Estar subordinado é estar numa escala,  abaixo daquele a quem nos subordinamos.Hoje acordei  me questionando. Sabe,  estes pensamentoss que aparecem  voluntariamente do nada, como pré-formulado  pela sua mente?   Preciso subordinar meus impulsos, preciso subordinar meus medos, meu ciúme. É relevante já que são coisas que o faz escravo daquilo que você sabe não ser bom.  Sim, porque não?  Quando você permite que  suas fraquezas o dominem está fazendo delas senhor das suas ações.  E quando você decide subordiná-las é como se dissesse a si mesmo que não quer que seja assim. Naturalmente esta reflexão é fruto de algumas desilusões que causam perdas. Se for bom observador verá que a as pessoas ao seu redor servem como termômetro para dizer como sua conduta as atinge, basta que para isso esteja  atento  as suas queixas, suas considerações, expressões corporais quando você chega num ambiente e principalmente  quando você mesmo vê necessidade de mudanças. Precisar mudar, eis aí, uma frase pronta que quase todos pronunciamos  mas que quase não surte efeito enquanto  realmente não decidimos subordinar nossa zona de conforto. Por incrível que pareça nossa  zona de conforto traz muito mais prejuízos que benefícios. Sim,conforto  é bom? Claro que é. Quem não gosta? Mas também nos dá a ânsia  de estacionar, de parar e ficar apreciando. Tudo,  menos de agir. De buscar, de arriscar. As vezes precisamos encurralar a zona de conforto e deixá-la presa para que possamos nos arriscar em terrenos desconhecidos. Subordinar aquilo que nos faz pequenos  não é algo fácil.  Fazer mudanças pessoais nos dá a incrível dimensão do quanto é difícil mudar. Quando você está subordinado a seu chefe, se quiser manter seu emprego é obrigado a andar debaixo das normas por ele estabelecidas. Porque? Sua manutenção dentro da empresa depende disso. Aprendemos subordinação cedo. Não raro nosso lar é o aprendizado básico de subordinação. O  respeito a nossos pais, aos nossos irmãos -  quando o temos, ao nosso  vizinho, aos nossos colegas de escola e assim consecutivamente. Assim nossas subordinações em campos específicos da personalidade vão se moldando indiretamente quando somos ensinados  e as vezes até subjugados pelos nossos tutores. Isso se faz necessário para que possamos manejar com coerência o que nos acompanhará por longos anos no convívio com pessoas.  A espiritualidade é outro tutor muito expressivo. E provavelmente o grande mentor que nos induz a querer ser  pessoas  melhores. Para ser uma pessoa melhor precisamos subordinar nossos defeitos que se destacam diante dos outros.  Ele pode ser simples, como falar alto ou pode ser grave como querer  se aproveitar dos outros. Quando você resolve subordinar alguma falha de personalidade você está fazendo,  visando um aprimoramento do seu caráter .Da sua persona. E  isto reflete positivamente na vida as pessoas que te cerceiam.

domingo, 12 de outubro de 2014

Disparate



Um dia conversava com uma moça que acabara de conhecer. Ela dizia:   Não sei  como alguém  pode  não ter um carro. Eu não tinha. Senti-me mal  quando aquelas palavras desceram pela minha garganta como se tivesse tomado algum tipo de remédio amargo. O fato de não ter  parecia uma aberração como não ter uma perna, ou não ter sei lá, alguma parte essencial do corpo. Despistei. Não me lembro como respondi, mas provavelmente  menti, algo como:    Pretendo comprar. Estou ajuntando para  comprar um carro zero.. Sei lá.  Hoje talvez diria: Da mesma forma que é inadmissível  alguém não ter um pedaço de pão. Sim,  um simples pedaço de pão para saciar a  fome. Talvez a pessoa que não tem, me olharia desnorteada. Afinal há quem se indigne com o fato de   alguém  não ter um carro ou um pedaço de  pão.  Pode parecer aberração, mas entre uma coisa e outra parece fútil imaginar   que há pessoas  que não imaginam alguém não ter um carro quando lhe falta o  pão. E como tem. Embora seja inadmissível. Imagino um pai, cuja família se alargou demais. Os frutos sagrados ultrapassaram a cota da sustentabilidade. O salário apertado que mal da para as despesas mais simples e,  sobre a mesa, além das moscar famintas não há mais nada. E viável que em vários cantos do mundo encontre pessoas nestas condições e que jamais  sonhariam com a possibilidade de um carro, que para muitos é uma necessidade  indispensável, estacionada na garagem, Por sinal,  sonham como uma mesa farta, onde o filho para encher a barriga não  tivesse que tomar água. Mas, enfim a desigualdade social é uma realidade doída de aceitar. Talvez o governo pensando neta dicotomia tenha criado seus planos de assistência para diluir um pouco estas diferenças. Mas a idéia do carro perambula mentes juvenis, motivadas por filmes de Hollywood  e a ascensão ainda que entre a escolha entre o pão e o carro, seja estapafúrdia, é bem atraente.  Então a concepção da idéia carro versus pão torna-se realidade. E as ditas palavras reverberam como o som da flauta ludibriando a fome ; ou  o governo,  como queira. Claro que a cogitação da idéia da troca do pão pelo carro nem é concebível em lugares do mundo em que ter um carro é tão desnecessário quanto ter roupa de marca. E onde a fome não é apagada pelas luzes de neon de cartazes com uma oferta de um modelo do ano completo.

sábado, 4 de outubro de 2014

Contava e ela dormiu





Tenho tanta coisa que com ela quero  compartilhar...Mas,  ela dormiu enquanto conversávamos.. A primeira pergunta que me veio a cabeça. Virei i um chato.? Não percebi que ela estava cansada. E que nao era apropriado falar naquela hora algo que reservara exclusivamente para lhe falar. Tipo: Ela  precisa saber disso. Minha empolgação acabou de pronto. Pensando pelo lado positivo, consegui fazer ela dormir. É, não sabia que tinha esta habilidade. Mas, enfim, acabamos descobrindo  cada coisa. Ainda que seja a habilidade para fazer alguém dormir. Esqueça isso de  conversas salutares, interessantes, cerebrais..Pra conversas deste tipo fale com  você mesmo.  Não que conversar sozinho seja legal. Mas na falta de melhor Cia. Você tem que aprender  se tolerar. Eu falei isso?  Seria mais ou menos: Diálogo de um homem só.  Quando sua platéia dorme no ponto crucial  da história previamente selecionada para contar:  Oi, você está aí? Oi!  Silencio puro. Do mais cristalino e original. O vácuo. Um silêncio tão ensurdecedor que as moscas parecem feirantes tentando vender seu produto. Você pode pensar que é final de carreira, ou como disse, que você está chato,  mas ao menos que seja  o toque das trombetas anunciando o final do mundo é normal que aconteça. .Nós seres humanos somos realmente esquisitos, basta a coisa não acontecer como esperamos que tratamos de  mostrar nossos dentes como cachorro que se sente ameaçado. Não corresponder as expectativas é o mesmo que repetir num teste de emprego. Você não tem o perfil que  procuramos. Mas, deixa seu currículo que   entraremos em contato. Nestes casos parece que toda nossa boa e velha sensatez míngua. E nosso senso  de justiça e empatia acena de longe. Por acaso você nunca dormiu vendo um filme? Você planejou a semana toda  ver aquele filme que todo mundo comenta. Foi na locadora, convidou alguns amigos, fez pipoca. O cenário perfeito. Entretanto na melhor parte do filme, contrariando sua vontade, seus olhos simplesmente fecham. Se assim, porque  numa conversa alguém não pode dormir? Só por que o maioral e dono do maior umbigo do mundo estava falando?  Eu durmo, você dorme, nos dormimos, é fato! Não é o fim do mundo se no meio de uma boa conversa sua amada, idolatrada, adormecer.  Será que sou chato? Será que perdi o encanto?  Ei, se liga. Dormir é divino. E  uma função fisiológica reparadora e quando tem vontade própria é sinal de que seu corpo mortal e cansado dele precisa. Não é nada pessoal. Não fica achando que consegue manter os olhos alheios abertos quando o sono chega implacável. Ainda que você fosse o dono da cocada preta, não conseguiria. Acredite. Apesar de todos argumentos que procurei pra mim, perdi  a excitação de continuar a  história.  Fiquei meio  borocoxô . Apesar das desculpas pedidas. Ficou um clima de:  será? Voltou o clima de  silêncio. Maior do que o diálogo. Quem foi que disse que o silêncio não fala?  O silêncio fala alto. O silêncio leva-nos em segundos a tantos questionamentos. Faz-nos buscarmos em nosso subconsciente assuntos, temas, histórias, situações. Todo isso concorde com o assunto discorrido. Já reparaste como a mente tem uma sagacidade nata? Podemos ter uma gama interminável de assuntos pra falar mas se a pessoa que queremos compartilhar dá sinal de indisposição em ouvir não há diálogo. Deflagra-se uma boa conversa quando não existe boa vontade do ouvinte. Como diz a lógica é preciso  dois para que aja um diálogo, para que aja uma briga, para que aja um dueto. Dizem que ninguém é um ilha, nada mais sensato. Mas tenho impressão que somos como uma cordilheira,. Somos um emaranhado de seres dependentes um do outro,. Dependemos da sociabilidade, da presença de outros.. Alguma coisa em nosso histórico genético exige que convivamos e para não contrariar nos rendemos as nossas necessidades inerentes ao desejo de nossa constituição mental. Mesmo porque fugir disso significa ser desajustado. Nossa mente adoece, nosso corpo padece, nosso espírito se abate. Aquele sujeito é esquisito? Oras, este é o preço quando não atendemos as demandas da nossa primitividade. As pessoas sempre recorrem aos nossos ancestrais quando precisam de uma explicação para nossas diferenças homem-mulher.. Somos assim porque para a preservação da espécie o homem era mais hábil caçador enquanto a mulher se ocupava de  outras tarefas. Dando ao homem  certas qualidades herdadas dos primitivos caçadores. E para  a mulher com sua  percepção mais aguçada todo resto. Pior que todo este dilema que desatei a pensar pode nem ter passado pela cabeça dela. Que lutando contra o inimigo sono só queria comigo ficar. Que desperdício de lacunas para um fato tão singelo..

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

A árvore cabeluda



No caminho que faço para o  trabalho, nota-se  durante o percurso  a vasta gama de coqueiros  perfilados como numa fila indiana por todo o percurso.  Beirando a rua lá estão eles, disputando palmo a palmo  espaço com  os postes . Eram bem pequenos quando Ana nasceu. Agora começam  dar seus primeiros frutos. Logo, seus frutos poderão ser colhidos e saboreados ali mesmo.  Do lado esquerdo dos coqueiros é possível ver um exercito imenso de eucaliptos formando uma quadra intensa de um exército imóvel inusitado... No grande descampado onde estão os eucaliptos, há uma variedade abundante de pássaros, plantas, insetos,   dando a sensação que ao se passar ali está num pequeno parque ecológico. São tantos que precisam de manobras precisas para que não colidam..  Da rua onde estão os coqueiros pode ver uma quantidade considerável de  pés de goiabas que na época certa inalam um cheiro inconfundível das brancas, vermelhas prontas para serem colhidas, oferecidas pela mãe natureza. Se seguir adiante pelo caminho,  dificilmente não observará ela. Sim, a cabeluda. Minha filha a batizou assim. É  difícil  não concordar com ela. É uma árvore diferente de todas que já vi. Suas folhas estão verdes durante todo ano. E ao vê-la entenderá porque cabeluda. Folhas verdes em demasia dão impressão de uma cabeleira . A primeira vez que ela me disse isso, ri,. Já tinha observado a vastidão das folhas, mas só a mente de uma criança poderia fazer tal comparação. Subíamos a rua descontraídos  como sempre fazemos, quando minha filha falou:  Olha, a cabeluda! Criança tem uma visão engraçada das coisas. Naquele momento  foi como se aos meus olhos ela ganhasse vida. Desde  então sempre  que passo ali, a imagino  convidando-me para entrar no que imagino ser um reino  onde pássaros e outros seres conversam como gente. Pássaros conversando  sobre suas aventuras Outros que ali residem cuidando  da sua rotina e de seus filhos, aproveitando para pedir roteiros de viagem aos viajantes que ali passam apenas para aproveitar a  sombra e descansarem antes de prosseguir ao seu destino. . A hospitaleira então lhes fala um pouco da história dos transeuntes que passam ali todos os dias. E o que aos ouvidos humanos pareceria uma algazarra de pássaros cantando desordeiramente, aos ouvidos de uma criança  seria  um riso gostoso depois de escutarem a história de um tombo sofrido por alguém observado   pela cabeluda. Imagino que ela deva ter muitas histórias para contar, anos, e anos presenciando  idas e vindas de pessoas que caminham incansáveis pela trilha onde ela se encontra. Posso imaginar a quantidade de histórias boas que não deva ter. Até eu e minha filha devemos estar nos contos da cabeluda.  Talvez até para todos os que ali passam, aja  um apelido que identifique a personalidade de cada um.  Lá vem o professor.. .Ah, aquele é o risonho. Hum..Aquele homem quando começou passar aqui era só uma criança. Olha só como está hoje!.. Esta aí, é a Ana Luiza, passa aqui  todas sextas feiras com seu pai. Ela é toda serelepe e tem uma disposição impressionante.  Outro dia seu pai passou por aqui e perdeu cinqüenta reais quando tirou o celular do bolso. . Sabe, o pai dela é meio voado, as vezes olha pra mim e parece  saber  que  posso ouvi-los.  Aquele é o seu Manuel, passa aqui todos os dias fazendo seu Cooper. Ultimamente ele anda meio devagar. É o  joelho. Tento lhe falar , mas ele não observa os sinais que tento dar. 
Nesta época do ano, a cabeluda gera umas flores vermelhas que parecem um cone,  não sei porque elas me causam certa apreensão. Sempre me vem na cabeça que podem ser venenosas. Não sei.
Penso muitas vezes em entrar debaixo da cabeluda para aproveitar sua sombra que nos dias de calor parece tão convidativo.  Mas, não deixo de imaginar que muitos animais rastejantes devam se recorrer a ela nestes dias.. E também um pouco de vergonha por imaginar que caso alguém note entrando ali, vá imaginar que sou algum maluco. As vezes a inibição de parecer maluco nos limita. Ultimamente tem acontecido uma revolução onde trabalho, o verde tem sido substituído por prédios para atender a demanda humana cada vez maior. Fico torcendo para que a cabeluda nunca sofra com este impacto. E que possa continuar  servindo de inspiração para outras  crianças. Sendo apreciada e batizada com um nome diferente para cada uma delas. E  para que possa continuar acumulando histórias de tantos que por ali passam.