someone lyke you

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Divagando



Tantos conflitos
Tantos ditos por não ditos
Tantos livros
 
Tantas propostas
Tantas horas não dispostas
Tantas prosas

Tantos devaneios
Tantas causas e  efeitos
Tantos anseios

Tantos medos
Tantos erros e acertos
Tantos dedos

Coisas que vêem sobre mim
E que nada posso fazer
E se eu tivesse poder
Eu faria
Tocaria sua melodia
Faria aquela correria
E  toda dor que há em ti,  apagaria.

Não viveria o agora
Não jogaria conversa fora
E todos meus anseios
Transformaria em dividendos
Não esperaria o raiar do dia
Não tomaria a dose da droga que me alucina
E aquilo que não afaga descartaria
Há, contornaria as horas que o tempo disponibiliza
Viveria a vida  em total harmonia
Não admitiria o caos
Não seria anormal
Não agonizaria:
Quando não tenho esperanças,
Quando depois da chuva não vem a  bonança
E quando seu corpo balança
E me desnorteia
E quando por mais que eu queira
De segunda a sexta feira
Nada posso fazer.
Não mudo a cor da dor, não mudo o seu dispor
Não mudo a idiossincrasia
Não mudo  o verso, a prosa e a poesia
Que falam de amor, dor, padecimento
Que falam da vida e dos seus aviamentos
Que falam e nunca se calam
Da formiga que perfila seu exército apenas por dispor
Da abelha que alimenta a colméia se provendo da flor
E do homem que se dispõe de tudo
Porque pode tudo, porque acha que é seu o mundo.
Porque na prateleira da vida , da síntese da clorofila
Ao Genoma  da vida, ele sabe explicar.
Mas sua própria ferida não consegue curar.

Uma cor é uma dor, uma esperança, uma sentença
As vezes tudo que quero é que me convençam
Que a vida é mais do que isso aqui.
E de que, quem vem depois de mim.
Ainda verá o verde dos pastos
Fontes de água jorrando seu afago
Sobre o mar.
O pulular da vida pujante, clamante,
Irrestritamente deliciante.
Em cada vida uma melodia, expressa numa intrínseca rotina
Alastrando o criador em cada faceta do seu amor
Dando, tirando,concedendo, mudando, admoestando
Mostrando que somos um grão de areia, uma faísca, uma centelha
Contribuindo, fundindo, intensamente se  expandindo,
Num incessante despertar
E tudo se refaz:
Tantos  conflitos
Tantas propostas
Tantas vidas expostas
Tantos livros
Tantos devaneios
Tantos receios
Tantos medos
E a utopia dos sonhos continua pra sempre reinar

domingo, 18 de agosto de 2013

Egoísmo



Tu és egoísta?
Conte  se for capaz
Diga-me:  consegue  se ver?
Se nunca parou pra pensar
Hoje poderá entender.

O mal está sempre agachado
Esperando  te surpreender
Por isso tome cuidado
Se andas  desavisado
Cuide para não se perder

Hoje se tudo que olhas
Diz respeito a você
Pode estar inclinado
Ao egoísmo se render.
Ele não se faz de rogado
Vai te envolver
basta ser descuidado
Desejar um bom bocado
Daquilo que não deveria querer

Se não tomar cuidado
 Ele irá te premer
Sob seus desejos subjugado
Nada poderá fazer.
Achas impossível
Disso acontecer contigo?
Melhor não pagar pra ver.


É possível acontecer
Deitará ao bel prazer
A luxuria se renderá,
A soberba te envolverá.
E amiúde sob suas teias repousará.

Sim devassidão, perpétua ilusão
Instigará iras, incompreensão
Seu coração alheio, nada  verá
A dor que a  inocentes trará

Cheio de más intenções
Com sórdidas fantasias
Hipocondríacas conclusões
Exporá intrépido ignomínias
O que não pertence a você
Um amargo legado
revelando a psique
De um desajustado



De sonhos consentidos
De alegria decaída
Sentimentos não tem  valor
E o hábito vira ferida
Não há mal entendido
Apenas o ocorrido.
Vitima da  vicissitude,
Uma ave vira um abutre
Que  com o altruísmo  altercou.

Pobre inconsequente, usurpador
Não honra seu criador
Que te fizestes para ser luz.
A que caminho te conduz?
E onde semeaste o pão
A terra secará?
E onde pusestes a mão
lágrimas haverá
Prantos , águas serão
Para seu destino traçar

Eis a questão:
Conseguirá isso perceber
Que além de você
Outros querem brilhar
Se não podes ver o dano
O dano irá te cobrar
Se violas o que é santo
Não há o que perdoar
Se tudo é deleite
E não  importa a quem ofende
Contigo não irão se importar.


Quando alguém gritar:
Como tu é egoísta!
 como iras questionar?
Terá sensatez a seu dispor
Para a questão ponderar
Terá honra pra rever,
Para reverter , reverberar?
Pobre, mesquinho,  mal feitor.
O egoísmo nunca esta sozinho
Outros males trará
E você na escala Richter da moral
Vários graus descerá.
Descerá, descerá, descerá.
Um permafrost  se tornará.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

O Retalho que sobrou



É difícil entender porque os relacionamentos se desgastam e chegam ao ponto de ser apenas um retalho.. Se quando começamos esperávamos que trouxesse benefícios a ambos… Então nos empenhamos para que tudo se harmonize com  nossos objetivos e, mesmo inconsciente lutamos para que a harmonia prevaleça …  Pra que isso aconteça é necessário que ambos trabalhem em prol do bem maior - o relacionamento. Uma vez suprimido este item,  todo o resto  começa a desmoronar a olhos vistos. Num relacionamento nada pode ser considerado meu, como indivíduo e nem se pode sobrecarregar o outro porque julgamos que nossas necessidades estão acima de qualquer outra, presumindo que as obrigações são do outro e não de ambos,  conduzimos nosso relacionamento ao que nos interessa e não ao que interessa a ambos.
 Desde pequeno ouço que o que nos destrói não são os grandes obstáculos  e sim os pequenos, aqueles que não podemos ver. Os grandes,  simplesmente desviamos. Isto cai muito bem  quando falamos em pequenos atos do dia a dia, rusgas persistentes que como água sobre a pedra, batem, batem até que furam…Pequenos atos de desamor e depreciação, coisas ínfimas que são lançadas ao vento como se fossem grandes obstáculos,  quando apenas  são atos falhos cometidos por qualquer pessoa humana e imperfeita. Quando num relacionamento vivemos a mercê daquilo que interessa só a nos mesmos subjugamos as pessoas de nosso convívio a espelhos de nós mesmos,  achando que tudo errado é culpa do outro e que somos vítima deste monstro que só quer nos ferir. Não raro vemos relacionamentos deteriorados, vivendo de retalhos pra cobrir tantos buracos que nossa própria ânsia materialista e, de satisfação própria,  não consegue mais sanar. Passamos a julgar o verbo conveniência em qualquer instância: Saímos juntos por conveniência, moramos no mesmo ambiente por conveniência, fazemos gentileza por conveniência nada mais é espontâneo e embora a presença da outra  seja  avessa,  por conveniência  deglutamos  todos os sapos previstos pra uma vida inteira, simplesmente porque fomos manipulados por nossa próprio egoísmo, porque afinal de contas se a pessoa diz não te amar mais porque você continuara sendo gentil, amoroso, carinhoso, dadivoso? E cometemos o maior erro que pode existir em qualquer relacionamento: a retaliação. Quando era mais jovem  tinha o feio hábito de palavrões. Quando estava sozinho e com raiva,  xingava  descomedidamente.. Com o tempo percebi que isto me fazia muito mal, era um descarrego animalesco de algo que eu não conseguia controlar. Prometi a mim mesmo que não faria mais aquilo. Quando retaliamos é como se todo nosso instinto animalesco viesse  a tona, trazendo tudo aquilo que com muito custo conseguimos vencer. Atitudes pequenas não requerem atitudes pequenas e sim o oposto. Não se paga mal com mal e nem egoísmo com egoísmo.. Este círculo vicioso é descomunal e prejudicial a quem  usa como arma de troca.
Jogue fora o retalho que sobrou afinal coisas antigas para remendar coisas novas,  não pega. Nunca pegou. Está na hora de roupas novas, atitudes novas que mostrem o seu engrandecimento. Vai!  Que não seja engrandecimento, mas que sejam coisas que sejam boas pra ambos. É muito difícil desvirar um barco já virado, imagine só o trabalho que dá. Mas se ainda existe amor, cumplicidade, carinho, mesmo que estes estejam camuflados com cara de outra coisa muito ruim, tente. O lógico era que o barco navegasse tranqüilo e quando em turbulência não virasse, mas  se virou,  vai dar mais trabalho, vai parecer desanimador, talvez ache  que não valha o sacrifício.  Mas pense:  Quantos casais pulam do barco e questionam se esta foi a melhor opção?   O amor é algo construtiv e  a comunicação é a porta de qualquer entendimento,  use-a.

domingo, 4 de agosto de 2013

Ego - 1 parte



Há um desconforto  entre o que quero e o indigesto: o Ego.
Que profana a harmonia dos meus intentos.
E por mais que me ensine o tempo
Acabo sempre onde tudo começou.
Atípico aos apelos do meu ser
Domado por uma razão que camuflou
O desejo que há  em mim.
E me faz escravo do  que sou

A razão não decide o que quero
E  o que quero é submisso do meu ego
O ego toma conta de mim,
Quando não desejo e não espero.
Então acabrunhado me destilo
Numa conduta submissa de querer
A batalha que  ocorre dentro de  mim
Escraviza e me impede de crescer

E submisso  colho frutos profanos
Dos desmandos do meu coração
Alimentando este monstro: o ego.
Destruindo o construído com esmero
Esmiuçando atirando-me ao chão.


O coração  e a razão ,  esta rija
Disputam nesta batalha indefinida
Quem irá imperar?
As  reticências  insinuam  desfechos
Quimeras, razão e desejos
O que irá almejar?

  E quando penso que  sou dono de mim.
Quase sempre me engano
As palavras que pronunciam enfim
Divergem revelando meus desmandos
E não é o quero que impera..
E este monstro , esta fera
Faz-me sempre olvidar:
Que entre a vontade e o querer
É preciso mais  que desejar

Este desconforto entre a razão e emoção
Prevalecem entre vidas
Vidas que esperam esperançosas
Uma conduta honrosa
Uma viagem segura e gostosa
Na embarcação do amor
Onde os planos que traço para mim
Afetem os que você dimensionou.

E que a discórdia dantes perfilada
Se desfaça, lânguida,  quando não encontrar guarida
E que  a  segurança volte  a reinar
Onde parecia perdida
E o amor volte a permear, resoluto e  pleno
Na vida daqueles cujos intentos
Conjugam o verbo  amar.
E aquilo que soou efêmero
Possa pra sempre imperar
Onde o banquete era de desilusão
Seja agora uma aclamação:
O ego sob a mesa, não irá sublevar.