A velhice me ensinou 2 coisas:
ser humilde e desconfiar que aquele cara que olho no espelho não sou eu...Nunca
fui bonito, mas quando eu olho para aquele cara no espelho é sacanagem. Não
pode ser eu. Como fiquei assim? E aquele cara do espelho nem precisa dizer muito porque cada gesto seu é
apenas o reflexo daquilo que não quero aceitar: pele flácida, barba branca, cara de buldogue
operado.. Sei lá. Só sei que ali está tudo errado. Isso talvez tenha contribuído para minha
humildade. O que é antagônico, parece
orgulho se dizer humilde, mas não é não.
Confesso, que esta humildade é meio que imposta.... Como não seria? Se depois do
que a juventude lhe proporciona você aos
poucos ir perdendo tudo? E isso, sem perguntarem
se é de sua vontade ou não. Estes dias, me deparei com uma situação hilária. Vi um
senhor muito bem aprumado, jogando charmes para
uma jovenzinha. Percebi que ela
ficou bem chateada e se afastando do lugar disse algo como: Velho tarado!!
Pensei: Se você um jovem, bonito, sarado, seria
garanhão mas como era um velho era tarado. Engraçado como encaramos certas
coisas que são inevitáveis. É como se este declínio imposto pela vida nos
revoltasse a tal ponto de refutarmos coisas que nos aproximam daquilo que não
aceitamos, como, por exemplo, “a velhice”. Estes dias no ônibus um senhor que
acabara de entrar se viu numa situação constrangedora . Ele ainda se ajeitava
quando o motorista deu uma freada brusca. O homem foi parar no colo de uma senhora que também já não era tão jovem e talvez por isso,
prevendo seus dias futuros desancou a
xingar o pobre coitado: Segura seu velho maluco! Ela disse. A velhice é meio injusta. Em situações que
parecem inexplicáveis ou imprevistas bem que poderia aparecer um anjo
explicando o que acontece no corpo de um velho para que não parecesse que suas ações ou, a falta delas os deixassem mais constrangidos,
como se os tombo em si ou outras situações,
já não fossem o bastante. Nestas circunstâncias o anjo
daria uma explicação razoável do que acontece na anatomia humana e com nossos
músculos quando se está na terceira idade. Seria interessante. Posso até ver os
Oh de surpresa pelo que as pessoas não sabem
e logo classificam como
maluquices.(Gaguice etc e tal). Pensando bem não sei se esta seria uma boa ideia. Vai que o tal anjo fosse um sacana e desembestasse a rir ao invés de explicar a anatomia do corpo aos 60. Porque há
tombos que são muito engraçados. Se você conhece a General Carneiro em São
Paulo sabe do que estou falando. Ahhhhhhhhhh,
Lembrei! A velhice traz experiência!
E está, é aclamada como essencial
em todas as áreas de atuação humana e... Desumana. Que droga! Mas, se perguntado a qualquer
autoridade em qualquer assunto o que será que ele preferiria? A velhice com sua
experiência ou a juventude com sua tolice? Ao pensar nisso pensei na agucidade mental...
Comparada a mentalidade de um jovem a
mente do velho é como uma engrenagem sem graxa. Num exercício simples de
aritmética como dois mais dois, um jovem sem pensar responderia: quatro, neste
ínterim ele iria tomar café, iria ao
banheiro escovar os dentes, azaria aquela amiga linda de morrer , tudo isso, enquanto a mente do velho ainda tentasse desvincular
os segredos numéricos.. Ainda bem que o tempo traz a experiência, ufa!! ...Quero
dizer, quando ela não é obsoleta. Digo isto porque o termo, careta, nao me sai da cabeça. Ainda
estou procurando alguma coisa benéfica que a idade traz, mas acho que até o fim do texto não vou
encontrar...Bom, ache você quando ficar mais velho. O que
eu francamente, duvido.
someone lyke you
sexta-feira, 3 de maio de 2013
domingo, 21 de abril de 2013
Vidas
Onde será que anda a moça do
tahine, com seu charme europeu e suas palavras difíceis revelando segredos a
mim desconhecidos. Dentre tantas, dela sinto carinho especial porque ela era
minha perfeita visão feminina: encantadora, culta, humorada, sonhadora... E aquela
mulher triste? Cujos sonhos a deixaram tanto tempo numa espera interminável e
quando eles não vieram ela se tornou amarga, tão amarga. Talvez se pudesse defini-la num sabor tenho
impressão que nem o fel chegaria perto, o absinto seria até docinho. Não tive muito contado com ela, mas ela me
ensinou que se pode passar uma vida inteira entre o disparar e o engatilhar uma
arma e que entre uma coisa e outra pode haver uma
eternidade infindável de tempo. Ela me
trouxe uma pergunta que se recicla perturbatória porque não há dia que não me
pergunte por que uma pessoa se sentindo tão pouco amada persevera em continuar
a tentar, tentar e tentar. Algumas vezes me pergunto se ela estaria errada, às
vezes o sacrifício em prol de alguma coisa maior seja essencialmente o ápice do
amor, outras, a critico severamente por sua atitude, a recrimino por esperar
tanto tempo para ir em busca da felicidade. Mas será que esta procura
individual da felicidade não seria em outro dicionário descrita como egoísmo?
Flor de Liz, esta sim companheira. Encantadora
não definiria nem metade do que ela representou. Ela me tirou tantas vezes da
areia movediça e mesmo quando numa festa descrevendo o ambiente, falando de seu
sapato novo ou me falando dos seus sentimentos, ela me puxava bravamente quando eu me atolava naquela massa de areia
envolvente. Conheci sabores, inalei
perfumes,visitei lugares, sorri
pueril de situações que não estive fisicamente, mas pelos olhos dela estive lá. Flor de Liz
expirou como uma planta com tempo de
vida determinado, mas a semente que deixou parece bem arraigada.
A moça dos castelos do norte do
Brasil foi-se num relance, mas os castelos ainda permeiam na minha imaginação.
Tanta coisa que desconhecemos. Tantas coisas que os olhos deveriam conhecer... Eu
me vi andando num passado que não vivi perscrutando coisas que não presenciei,
mas a imaginação voa sorrateira e vai solta por solos desconhecidos a
esmo, livre, leve e solta como deveria ser
as coisas. Deveríamos ser desprendidos e
não estarmos aprisionados numa
camisa de força do medo, dos complexos, das incertezas, da mesquinharia,
egoísmo, dos padrões definidos...das incertezas que nos deixam presos num molde
de comportamento.
Oxente!! Aquela moça empertigada,
serelepe, uma cultura refinada que
denotava um berço bem provido que se espelhava pelo brilho da pele e as curvas
bem definidas. Uma candura generosa
assim como polida Uma dama jovem e encantadora. Uma flor esfacelada pela
traição. Tomamos do mesmo veneno e inalávamos o mesmo compadecimento:
poros e mente. O espírito debilitado,
rastejando em comunhão recíproca. Assim caminhamos enquanto foi necessário até
que no equilíbrio, mergulhamos em outros sonhos.
Tatos e fatos, bicos e redomas,
estamos sempre a procura de algo que nos transforme, que nos complete, que nos
sacie.. Assim esbarramos em pessoas que acrescentam um pouco do seu tempero. Em cada prato apreciamos impar o sabor do que nos
é oferecido e viajamos abstratos, concretos e porque não dizer indefinidos?
Porque comemos o que nos é oferecido mas
nem sempre apreciamos o que nos é
ofertado.
domingo, 14 de abril de 2013
CHINELOS
Eu tenho 4 pares... Sim, eu sei, só tenho 2 pés
e quatro pares de chinelos parece exagero. Um deles comprei por pura necessidade,
outro, porque pensei que quando saísse ele seria o mais adequado, o outro, porque estava na moda e o último porque
ele era bem bonito... Disse: Jamais vou ter um chinelo tão bonito... Assim acabei comprando numa promoção
imperdível. A verdade é que com o decorrer do tempo percebi que não tenho
necessidade de 4 pares de chinelos. E percebi que exceto o que comprei por
necessidade os outros estão meio
abandonados, quase em desuso, hoje mesmo
abri a sapateira e quase pude ouvir um
clamor me cobrando uma atitude. Como se
implorassem para que os usasse e não os deixassem ali entre os outros sapatos de pouco uso. E neste colóquio imaginário eu me justificava: Eu só tenho 2 pés.
Engraçado o chinelo que comprei por pura necessidade está sempre atado aos meus
pés e por mais que eu queira desfazer este
laço não consigo. Quando menos espero lá está o
chinelo nos meus pés... Fico com ele em casa, vou com ele
no quintal, tomo banho com ele. Ele se adapta perfeitamente a todas as minhas
necessidades. Mas e quanto aos outros.? Aquele que uso para sair é
aconchegante, mas suja muito, toda vez preciso lavá-lo. Não é que esteja reclamando,
mas confesso, o outro, o simples,
ainda é mais confortável, embora ambos
sejam. O terceiro é ótimo para quando não quero usar tênis para malhar.Sim, é isto mesmo. Coloco
ele e ... Tem dias, porém que prefiro o simples mesmo. Agora, o mais bonito,
aquele que deveria estar... Está lá, fazendo companhia para as traças, se é que
existem traças na minha sapateira, mas acho que
a palavra caiu muito bem para explicar seu isolamento. Hoje ele falou
comigo, reclamando de sua condição de abandono. Me fez pensar. Mas esta
história não é só sobre chinelos. É
sobre gente... Às vezes escolhemos as amizades como chinelos. As vezes pela necessidade, às vezes escolhemos pelas
suas condições sociais, outras ainda
pelo que elas podem nos proporcionar e, que feio, por mais relutante que seja,
as vezes nos aproximamos pela beleza, se bem que a amizade fica relegada a
segundo plano...Através dos meus chinelos descobri, bom, descobri é um termo muito inflexível, refleti que amizade, amor... São sempre bons quando nos sentimos completos.
Quando aquela pessoa do nosso lado é pau pra toda obra e nos faz sentir queridos, nos faz sentir bem. Aquela pessoa que queremos que
esteja do nosso lado atada a nós como esta relação dos meus pés com o chinelo.
domingo, 31 de março de 2013
A Morte de Cristo
A morte de Jesus foi algo bem significativo,
embora hoje este reconhecimento esteja relegado a segundo planos. Raramente
encontro pessoas que vêem isto como uma data marcante ou com alguma importância
considerando seu real valor. Não que as
pessoas ignorem o fato,elas realmente desconhecem. Sério, desconhecem a
importância desta data... Data, dia.. O que realmente importa? Nesta data as pessoas estão preocupadas com
ovos de chocolate, na tradicional festa de trocas de ovos de páscoa. As
crianças adoram isto, ora, os adultos
também porque não? É tão bom. Indiretamente se no recôndito de minhas
informações acumuladas por anos procurar fazer uma conexão eu iria pela lógica voltar ao passado lá
quando Jesus sentado numa mesa com seus 12 apóstolos comemorava uma outra data
– a libertação do seu povo da escravidão do Egito. Data memorável e até hoje
muito significativa para os Judeus. Naquela data memorável só para citar o
clímax dos acontecimentos, o mar vermelho ( uma massa de água considerável) se
partiu no meio para que toda uma nação passasse para a liberdade. Jesus agora sentado à mesa dava àquela
comemoração um novo emblema, uma nova representação, acontecimentos iminentes marcariam para
sempre a vida da humanidade, e ali, naquele momento Jesus representava o cordeiro de Deus(Agnus Dei) que remiria os pecados da humanidade. Jesus então partiu o pão e ofereceu a seus
discípulos e acrescentou: este é meu corpo. Depois pegou o vinho e mencionou:
este é meu sangue, depois concluiu: persisti em fazer isso em memória de mim. (
1 Coríntios 11:24-26) Estava ali estabelecida a mais importante data para os
cristãos, importante porque o sacrifício que Jesus estava prestes a fazer nos libertaria da condição morredoura destinada a toda
humanidade e porque tal como para os
Judeus representava a libertação da escravidão como nação, ali Jesus se punha
em pés de igualdade como libertador mas em um grau definitivamente mais significativo. Mediante sua
misericórdia estávamos ganhando a graça da liberdade. Por falar em liberdade aí
entra o coelho e o ovo de chocolate que representam a fecundidade , a renovação da
vida, o recomeço ( Entre os povos da antiguidade a fertilidade era sinônimo de preservação
da espécie de melhores condições de vida.) Já no Antigo Egito , o coelho
representava o nascimento e a esperança de novas vidas. Mas o que a reprodução
tem a ver com o significado religioso da Páscoa? Esperança de vida nova.. Lá no passado a
igreja adotou o ovo símbolo da
Ressurreição . Uma santificação imprópria de cultos pagãos, mas enfim, hoje
norteamos a morte de cristo com ovos de Páscoa que obscurecem a natureza real
da data, mas que iluminam os olhos das crianças e dos adultos. Ora, porque não?
domingo, 24 de março de 2013
Avessos
Procuro um advento
Que apazigúe turbilhoes
Da alma.
Porque o vazio
Sob pressão
Míngua a aura
Sigo na contra mão
Destilando intenções
E pairo sob flores
Onde está o amor?
Onde está a cumplicidade?
Sugo o néctar do pecado
Encontro o procurado
Há desatino na devassidão
Entre mil corações
Quem é usurpado?
- A flor inspira ilusão
- A flor transpira pecado
O rei ou o pobre coitado?
Sou o avesso?
Corrompido pelo desejo
Sou obstinado?
Corrompido pelo pecado
Arremesso perfídias
Ou o néctar benfazejo?
A paz ou a beligerância?
Clamor ou bem
aventurança?
A fina tênue proferida
É a medida da cura ou da ferida?
A ilusão é a cura da
icterícia?
O Emblema de Deus ou
do Diabo?
O canal do bem ou do
pecado?
A hóstia que abranda a fúria?
O salamandra que põe
fim a penúria?
Ou a torpor lactante da dor?
Alardeiam que andam próximos
Avessos, em lados opostos
Diante de ti a remissão ou degradação.
Escolha seu endereço.
De mãos dadas ou
separados?
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