someone lyke you

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Tirando a velhice



A velhice me ensinou 2 coisas: ser humilde e desconfiar que aquele cara que olho no espelho não sou eu...Nunca fui bonito, mas quando eu olho para aquele cara no espelho é sacanagem. Não pode ser eu.  Como fiquei assim?  E  aquele cara do espelho  nem precisa dizer muito porque cada gesto seu é apenas o reflexo daquilo que não quero aceitar:  pele  flácida, barba branca, cara de buldogue operado.. Sei lá. Só sei que ali está tudo errado.  Isso talvez tenha contribuído para minha humildade. O que é antagônico, parece  orgulho se dizer humilde, mas não é não.  Confesso,  que esta   humildade  é meio que  imposta.... Como não seria? Se depois do que  a juventude lhe proporciona você aos poucos ir perdendo tudo?  E isso, sem perguntarem se  é de sua vontade ou não. Estes dias,  me deparei com uma situação hilária. Vi um senhor muito bem aprumado, jogando charmes para  uma jovenzinha.  Percebi que ela ficou bem chateada e se afastando do lugar disse algo como: Velho tarado!! Pensei: Se você um jovem, bonito, sarado, seria  garanhão  mas como era  um velho era  tarado. Engraçado como encaramos certas coisas que são inevitáveis. É como se este declínio imposto pela vida nos revoltasse a tal ponto de refutarmos coisas que nos aproximam daquilo que não aceitamos, como, por exemplo, “a velhice”. Estes dias no ônibus um senhor que acabara de entrar se viu numa situação constrangedora . Ele ainda se ajeitava quando o motorista deu uma freada brusca.  O homem foi parar no  colo de uma senhora  que  também já não era tão jovem e talvez por isso, prevendo seus dias futuros  desancou a xingar o pobre coitado: Segura seu velho maluco! Ela disse.    A velhice é meio injusta. Em situações que parecem inexplicáveis ou imprevistas bem que poderia aparecer  um anjo  explicando o que acontece no corpo de um velho  para que não parecesse que suas ações ou,  a falta delas os deixassem mais constrangidos,  como se os tombo em si ou outras situações,  já não  fossem o bastante. Nestas circunstâncias o anjo daria uma explicação razoável do que acontece na anatomia humana e com nossos músculos quando se está na terceira idade. Seria interessante. Posso até ver os Oh de surpresa pelo que as pessoas não sabem  e  logo classificam como maluquices.(Gaguice etc e tal). Pensando bem não sei se esta seria uma boa ideia. Vai que o tal  anjo fosse um  sacana e desembestasse  a rir  ao invés de  explicar a anatomia do corpo aos 60. Porque há tombos que são muito engraçados. Se você conhece a General Carneiro em São Paulo sabe do que estou falando. Ahhhhhhhhhh,  Lembrei!  A velhice traz  experiência!  E está,  é aclamada como essencial em todas as áreas de atuação humana e... Desumana.  Que droga! Mas, se perguntado a qualquer autoridade em qualquer assunto o que será que ele preferiria? A velhice com sua experiência ou a juventude com sua tolice?   Ao pensar nisso pensei na agucidade mental... Comparada  a mentalidade de um jovem a mente do velho é como uma engrenagem sem graxa. Num exercício simples de aritmética como dois mais dois, um jovem sem pensar responderia: quatro, neste ínterim ele iria tomar café, iria  ao banheiro escovar os dentes, azaria aquela amiga  linda de morrer , tudo isso,  enquanto a mente do velho ainda tentasse desvincular os segredos numéricos.. Ainda bem que o tempo traz a experiência, ufa!! ...Quero dizer, quando ela não é obsoleta. Digo isto porque o termo, careta,  nao me sai da cabeça.   Ainda estou procurando alguma coisa benéfica  que a  idade  traz, mas  acho que até o fim do texto não vou encontrar...Bom, ache  você  quando ficar mais velho.  O  que eu francamente,  duvido.

domingo, 21 de abril de 2013

Vidas



Onde será que anda a moça do tahine, com seu charme europeu e suas palavras difíceis revelando segredos a mim desconhecidos. Dentre tantas, dela sinto carinho especial porque ela era minha perfeita visão feminina:  encantadora, culta, humorada, sonhadora... E aquela mulher triste? Cujos sonhos a deixaram tanto tempo numa espera interminável e quando eles não vieram ela se tornou amarga, tão amarga.  Talvez se pudesse defini-la num sabor tenho impressão que nem o fel chegaria perto, o absinto seria até docinho.  Não tive muito contado com ela, mas ela me ensinou que se pode passar uma vida inteira entre o disparar e o engatilhar uma arma e  que  entre uma coisa e outra pode haver uma eternidade infindável de tempo.  Ela me trouxe uma pergunta que se recicla perturbatória porque não há dia que não me pergunte por que uma pessoa se sentindo tão pouco amada persevera em continuar a tentar, tentar e tentar. Algumas vezes me pergunto se ela estaria errada, às vezes o sacrifício em prol de alguma coisa maior seja essencialmente o ápice do amor, outras, a critico severamente por sua atitude, a recrimino por esperar tanto tempo para ir em busca da felicidade. Mas será que esta procura individual da felicidade não seria em outro dicionário descrita como egoísmo?
 Flor de Liz, esta sim companheira. Encantadora não definiria nem metade do que ela representou. Ela me tirou tantas vezes da areia movediça e mesmo quando numa festa descrevendo o ambiente, falando de seu sapato novo ou me falando dos seus sentimentos, ela me puxava bravamente  quando eu me atolava naquela massa de areia envolvente. Conheci sabores, inalei  perfumes,visitei  lugares, sorri pueril de situações que não estive fisicamente,  mas pelos olhos dela  estive lá. Flor de Liz expirou  como uma planta com tempo de vida determinado, mas a semente que deixou parece bem arraigada.
A moça dos castelos do norte do Brasil foi-se num relance, mas os castelos ainda permeiam na minha imaginação. Tanta coisa que desconhecemos. Tantas coisas que os olhos deveriam conhecer... Eu me vi andando num passado que não vivi perscrutando coisas que não presenciei, mas a imaginação voa sorrateira e vai solta por solos desconhecidos a esmo,  livre, leve e solta como deveria ser as coisas. Deveríamos ser desprendidos e  não estarmos   aprisionados numa camisa de força do medo, dos complexos, das incertezas, da mesquinharia, egoísmo, dos padrões definidos...das incertezas que nos deixam presos num molde de comportamento.
 Oxente!! Aquela moça empertigada, serelepe,  uma cultura refinada que denotava um berço bem provido que se espelhava pelo brilho da pele e as curvas bem definidas.  Uma candura generosa assim como polida Uma dama jovem e encantadora. Uma flor esfacelada pela traição.  Tomamos  do mesmo veneno e inalávamos o mesmo compadecimento: poros e mente.  O espírito debilitado, rastejando em comunhão recíproca. Assim caminhamos enquanto foi necessário até que no equilíbrio, mergulhamos em outros sonhos.
Tatos e fatos, bicos e redomas, estamos sempre a procura de algo que nos transforme, que nos complete, que nos sacie.. Assim esbarramos em pessoas que acrescentam um pouco do seu tempero.  Em  cada prato apreciamos impar o sabor do que nos é oferecido e viajamos abstratos, concretos e porque não dizer indefinidos? Porque comemos  o que nos é oferecido mas nem sempre apreciamos o que nos  é ofertado.

domingo, 14 de abril de 2013

CHINELOS



 Eu tenho 4 pares... Sim, eu sei, só tenho 2 pés e quatro pares de chinelos parece exagero. Um deles comprei por pura necessidade, outro, porque pensei que quando saísse ele seria o mais adequado,  o outro,  porque  estava na moda e o último   porque ele era bem bonito... Disse:  Jamais vou  ter um chinelo tão bonito... Assim acabei comprando numa promoção imperdível. A verdade é que com o decorrer do tempo percebi que não tenho necessidade de 4 pares de chinelos. E percebi que exceto o que comprei por necessidade os outros estão  meio abandonados, quase  em desuso, hoje mesmo abri a sapateira e quase pude ouvir  um clamor me cobrando uma atitude.  Como se implorassem para que os usasse e não os deixassem  ali entre os outros sapatos de pouco uso.  E neste colóquio imaginário  eu me justificava: Eu só tenho 2 pés. Engraçado o chinelo que comprei por pura necessidade está sempre atado aos meus pés e por mais que eu queira desfazer este  laço   não consigo. Quando menos espero lá está o chinelo nos   meus pés... Fico com ele em casa, vou com ele no quintal, tomo banho com ele. Ele se adapta perfeitamente a todas as minhas necessidades. Mas e quanto aos outros.? Aquele que uso para sair é aconchegante, mas suja muito, toda vez preciso lavá-lo. Não é que esteja reclamando,  mas confesso, o outro, o simples,  ainda é mais confortável, embora ambos sejam. O terceiro é ótimo para quando não quero usar tênis para malhar.Sim, é isto mesmo.  Coloco ele e ... Tem dias, porém que prefiro o simples mesmo. Agora, o mais bonito, aquele que deveria estar... Está lá, fazendo companhia para as traças, se é que existem traças na minha sapateira, mas acho que  a palavra caiu muito bem para explicar seu isolamento. Hoje ele falou comigo, reclamando de sua condição de abandono. Me fez pensar. Mas esta história não é  só sobre chinelos. É sobre gente... Às vezes escolhemos as amizades como chinelos. As vezes  pela necessidade, às vezes escolhemos pelas suas condições sociais,  outras ainda pelo que elas podem nos proporcionar e, que feio, por mais relutante que seja, as vezes nos aproximamos pela beleza, se bem que a amizade fica relegada a segundo plano...Através dos meus chinelos descobri,  bom, descobri é  um termo muito inflexível, refleti que  amizade, amor... São  sempre bons quando nos sentimos completos. Quando aquela pessoa do nosso lado é pau pra toda obra e  nos faz  sentir queridos, nos faz  sentir bem. Aquela pessoa que queremos que esteja do nosso lado atada a  nós como esta relação dos meus pés com o chinelo.

domingo, 31 de março de 2013

A Morte de Cristo



A morte de Jesus foi algo bem significativo, embora hoje este reconhecimento esteja relegado a segundo planos. Raramente encontro pessoas que vêem isto como uma data marcante ou com alguma importância considerando seu real valor.  Não que as pessoas ignorem o fato,elas realmente desconhecem. Sério, desconhecem a importância desta data... Data, dia.. O que realmente importa?  Nesta data as pessoas estão preocupadas com ovos de chocolate, na tradicional festa de trocas de ovos de páscoa. As crianças adoram isto,  ora, os adultos também porque não? É tão bom. Indiretamente se no recôndito de minhas informações acumuladas por anos procurar fazer uma conexão  eu iria pela lógica voltar ao passado lá quando Jesus sentado numa mesa com seus 12 apóstolos comemorava uma outra data – a libertação do seu povo da escravidão do Egito. Data memorável e até hoje muito significativa para os Judeus. Naquela data memorável só para citar o clímax dos acontecimentos, o mar vermelho ( uma massa de água considerável) se partiu no meio para que toda uma nação passasse para a liberdade.  Jesus agora sentado à mesa dava àquela comemoração um novo emblema, uma nova representação,  acontecimentos iminentes marcariam para sempre a vida da humanidade, e ali, naquele momento Jesus representava  o cordeiro  de Deus(Agnus Dei) que remiria os pecados  da humanidade.  Jesus então partiu o pão e ofereceu a seus discípulos e acrescentou: este é meu corpo. Depois pegou o vinho e mencionou: este é meu sangue, depois concluiu: persisti em fazer isso em memória de mim. ( 1 Coríntios 11:24-26) Estava ali estabelecida a mais importante data para os cristãos, importante porque o sacrifício que Jesus estava prestes a fazer  nos libertaria da  condição morredoura destinada a toda humanidade e porque tal como para  os Judeus representava a libertação da escravidão como nação, ali Jesus se punha em pés de igualdade como libertador mas em um grau definitivamente mais significativo. Mediante sua misericórdia estávamos ganhando a graça da liberdade. Por falar em liberdade aí entra  o  coelho e o ovo de chocolate  que representam a fecundidade , a renovação da vida, o recomeço ( Entre os povos da antiguidade a fertilidade era sinônimo de preservação da espécie de melhores condições de vida.) Já no Antigo Egito , o coelho representava o nascimento e a esperança de novas vidas. Mas o que a reprodução tem a ver com o significado religioso da Páscoa?  Esperança de vida nova.. Lá no passado a igreja adotou o ovo  símbolo da Ressurreição . Uma santificação imprópria de cultos pagãos, mas enfim, hoje norteamos a morte de cristo com ovos de Páscoa que obscurecem a natureza real da data, mas que iluminam os olhos das crianças e dos adultos. Ora,  porque não?

domingo, 24 de março de 2013

Avessos




Procuro um advento
Que apazigúe turbilhoes
Da alma.
Porque o vazio
Sob pressão
Míngua a aura


Sigo na contra mão
Destilando intenções
E pairo sob flores
Onde está o amor?
Onde está a cumplicidade?
Sugo o néctar do pecado
Encontro o procurado

Há desatino na devassidão
Entre mil corações
Quem é usurpado?
- A flor inspira ilusão
- A flor transpira pecado
O rei ou o pobre coitado?

Sou  o avesso?
Corrompido pelo desejo
Sou obstinado?
Corrompido pelo pecado
Arremesso perfídias
Ou o néctar benfazejo?
A paz ou a beligerância?
Clamor  ou bem aventurança?

A fina tênue proferida
É a medida da cura ou da ferida?
A ilusão é a cura  da icterícia?
O Emblema de  Deus ou do Diabo?
 O canal do bem ou do pecado?
A hóstia que abranda a fúria?
O  salamandra que põe fim a penúria?
Ou a torpor lactante da dor?

Alardeiam que andam próximos
Avessos, em lados opostos
Diante de ti a remissão ou degradação.
Escolha seu endereço.
De mãos dadas ou  separados?