Estava frio o corpo parecia
petrificado, tirar a roupa não parecia boa opção e estava bem difícil. Lembrei-me
dos dizeres de alguém que dava aconselhamento sobre relacionamentos que dizia
que deveríamos procurar prazer em coisas simples como um banho. Humm, como de
repente noto o quão agradável pode
ser...Ligo o chuveiro antecipadamente para que o vapor dê uma pré aquecida no
ambiente e para me certificar que a água estará quente o suficiente. E lá estou
eu... Os pensamentos fervilham misturados. Penso em Clarice Lispector falando
sobre sua empregada que queria ler um dos seus livros. Não sei por que, este
pensamento tem sido recorrente. Eu não entendo. Pensei em Thomas Thallis com seu coral de 40 vozes cantando Spem In Alium, lógico que nem saberia o que era isso se não tivesse lido "50 tons de cinza"...
Descobri que sou ruim pra isso e que meu gosto musical é questionável. Não vi tanta graça como o casal parece ter
achado no seu momento solo. Pensei em Joana... Caramba! Tenho dado tão pouca atenção para ela e não sei por quê. Só
sei que preciso me retratar. As vezes penso que o fato de ela achar que estou
sempre ocupado e eu, de minha parte
achar o mesmo, acabamos nos falando
menos que, a princípio, eu gostaria. Pensei
na dita cuja. As mesmas cenas de sempre, às vezes me recrimino por não ser mais
criativo, pensar sempre nas mesmas coisas? É tão enfadonho... Já que tenho que
conviver com eles deveriam ser mais elaborados, exemplo: numa destas, eu deveria enforcá-la na Torre Eifel ou jogá-la da Ponte Rio Niterói... Sei, lá, o
lugar não importaria, mas que fosse mais criativo. A água quente caindo sobre
minhas costas me fazia quase esquecer do horário de trabalho... Pensei em
Anne. Tivemos uma conversa pra lá de desagradável e, de certa forma os pingos
nos ” is” não aconteceram. Estou bem
ciente dos meus muitos defeitos e infelizmente não estou vacinado como pensava
de certas picuinhas e do passado com todos os seus rabiscos. Afinal que
borracha consegue apagar erros passados?
Aproveitei o calor da água pra fazer a barba.. Acho que vi esta recomendação em
alguma destas revistas que garantem que esta é a melhor forma de não irritar a
pele. Hummm, acabei. Reluto pra desligar o chuveiro, mas se não o fizer vou
chegar atrasado. Quanto tempo será que fiquei aqui? Se o ônibus tiver passado estou ferrado,
penso. E corro pra cair nos braços gélidos de mais um dia.
someone lyke you
quinta-feira, 21 de março de 2013
segunda-feira, 11 de março de 2013
A Infalível Abordagem de Ana Luiza
Adultos são seres estranhos, eles
até escrevem livros ensinando formas de
abordar alguém do sexo oposto. Durante
nossa passagem de criança para adultos esquecemos
como se faz isso, então depois de algum tempo sofrendo com nossa falta de
habilidade interativa, recorremos a técnicas de como fazer isso ou aquilo, de
como impressionar e como chegar numa garota e até como se enturmar num grupo..
Ana Luiza não. Ela me deu uma
aula gratuita de como fazer isso ser simples e eficaz. Estávamos na piscina e eu adulto com regras,
formas e tabus, estava preocupado. Com quem ela iria brincar? Era uma preocupação de pai que quer que a
filha se divirta, mas também era uma preocupação boba. Não havia muitas pessoas
naquele dia, mas tinha um casal com suas 2 filhas... Uma era bem pequena por
volta de seus 6 ou 7 anos, a outra já por volta dos seus 12 anos. Ana Luiza
simplesmente entrou na água e se aproximou das gurias. E quando menos esperava
lá estavam elas brincando, batendo papo.
Adultos... Porque complicam tanto?
Seria insano descrever a técnica que ela usou, mas garanto que temos
muito que aprender com as crianças. Elas fazem coisas que os adultos acham complicado
parecer tão simples! A questão do tempo,
da vergonha, do desconhecimento são irrelevantes. Eles chegam e se enturmam tão
naturalmente que deixaria muito marmanjo experiente boquiaberto. Talvez porque não sintam medo de outros humanos, não fiquem procurando qualidades ou defeitos e nem
tampouco se sintam desajustadas a ponto de se fecharem em si mesmos procurando
questionamentos que só nos fazem ser cada vez menos sociáveis... Ao vê-las ali
pulando, brincando jogando água uma nas outras, achei patético a ideia preconcebida
de técnicas para ensinar como abordar
alguém . Acho que as empresas poderiam investir nas crianças quando
sumariamente contratam homens que precisam reaprender como executar abordagens precisas com técnicas sofisticadas quando na verdade
se contratassem uma criança atingiriam o mesmo objetivo e sem custos.
Adultos!!! Porque esquecem e desaprendem
o que foi dado gratuitamente? A espontaneidade
num adulto geralmente soa falsa, sim, lógico, pra brincar só se for valendo,
pra respirar corretamente só fazendo Yoga, para conversar só se houver algum interesse
por detrás.. Vivem correndo, sem tempo para nada, aí quando cismam querem reconquistar o que já tinham e
perderam.Vai entender... Talvez precisemos ressuscitar a criança que já fomos
um dia.. Não estou querendo dizer que deveríamos voltar ao útero materno. Mas
só na essência... Porque brincar de ser adulto o tempo inteiro, é chato pra
caramba!!!
segunda-feira, 4 de março de 2013
Estamos evoluindo?
Às vezes me pergunto se estamos
evoluindo e o que significa realmente evolução... Livrarmo-nos de nossos preconceitos, padrões morais,
apegos? Existem muitas coisas que podemos ter como base para dizermos: “Estamos
evoluindo.”... Por falar nisso, hoje eu lia algo como a sociedade perfeita...
Onde não haveria mais a noção de casamento como vemos hoje. Os casais seriam
mais abertos – o que significa que o homem teria direito a ter outras parceiras
e a mulher, outros parceiros.. Seria uma espécie de sociedade anônima conjugal.
Dentro desta teoria, as pessoas seriam mais felizes, porque segundo explicação:
não fomos feitos para monogamia...É, isto é evolução!! Segundo pormenores da teoria, isso evitaria a
dissolução dos casamentos porque tendo ambos outros parceiros e, isso sendo de comum acordo, não haveria necessidade de um
divórcio já que o entrelaço matrimonial não
configuraria insatisfação. Pra que nossa
ideia de evolução funcione precisamos nos livrar dos ditos conceitos
ultrapassados, precisamos professar que novas teorias refletem melhor o mundo atual. Tomemos como base a religião,
porque termos apenas uma? Porque não podemos
ser crentes, católicos, espíritas e ainda assim frequentarmos uma seita que nos
oriente naquilo que “nossas religiões não nos supre”. Porque não? Assim, quando não estivesse de
acordo com alguma diretriz que
considerasse ultrapassada, simplesmente mudaria para uma das outras opções.
Seria tudo mais simples e prático.
Seguindo esta linha de pensamento, porque reprovar crianças mesmo quando
não saibam nada? Não faz sentido. Num
dado instante ele se conscientizará e recuperará o tempo perdido... Precisamos
evoluir e não ficar presos a dogmas e crenças que dificultam tanto a vida..
Então porque os pais batem nos seus filhos?
Lógico que isso não deve acontecer.. Crianças precisam de amor e não de
surra... Precisamos pensar concordemente. A Bíblia fala contra homossexuais,
mas a Bíblia é um livro ultrapassado... A igreja é contra o aborto, está na hora
da igreja repensar. Deveríamos repensar
também a questão de vida e morte, drogas, refrigerantes, fast food, ... Pra que
disciplinar nossos filhos isto é perda de tempo. Na sociedade evolutiva teremos
robôs pra agendar nossos compromissos, preparar nosso café, arrumar nossa cama...
Pagar nossas contas e se comer um pouco a mais, engulo a pílula do
emagrecimento. Simples assim. Então vamos
fazer sexo sem prevenção, Aids, doenças, filhos
indesejados? Isso é bobeira,
afinal Aids tem cura, e tem a pílula do
dia seguinte.. Tudo é solucionável... Peraí, mas o que faremos com aqueles que não
concordam com está evolução? Bom, se
estamos lutando contra preconceitos acho que teríamos um novo: os anti evolução.
Talvez tivéssemos que fazer um plebiscito para definirmos o que fazer com
eles... Como foi feito sobre as armas... Mas assim, se perdermos, fazemos outro
no ano seguinte até ganharmos... Se estamos evoluindo eu não quero ouvir não... Se meu pai me disser
não, eu saio de casa, se meu chefe falar
não eu compro atestado.. A evolução exige
que não sejamos contrariados... Mas e a
vizinha que quero fazer sexo? Se ela me disser não? Eu mato ela?
Aquele livro ultrapassado adverte: Não é do homem terreno
dirigir seus passos. Porque toda vez que o homem pensa que sabe mais que
Deus... Ele faz cagada!!! É..., mas esta
palavra é feia!!!
Uai, não estamos evoluindo?
domingo, 3 de março de 2013
AGUILHOAR
Eu não ligo para
comentários tolos
Que despertam em mim a ira
Eu não escrevo decretos com artigos e parágrafos incompreensíveis
Com interpretações ajustadas a conveniências
Odeio olhos lidos, experimentados , dedutores e alarmados,
alardeando o que não sabem.
Mentes puídas com conceitos camuflados, revestidos de uma
verdade moderninha, cheia de maneirismos legais paca, morou!!!
Venerando a orgia com cara de nana neném
Não gosto que me cutuquem com coisas que doem, com conclusões que levem ao passado..
A cera no ouvido faz-me surdo pra questões inconvenientes.
Minha roupa está suja agora, assim como meu coração..
Vou banhar-me em águas do Jordão.
Onde as imundícias de tantos levam a pureza dos criveis...
Odeio ser encontrado quando estou refugiado.
Protegido pelo que acredito, pelo silêncio e pela ausência das notícias,
De quem rupturas causam por aí à esmo..
Estou frígido, ferido, esmiuçado e lacrado, nesta ordem,
para mentes pequenas
Fingindo serem cabeções...
Até são, mas a alma é pequena...
Mente lasciva é pequena porque esparrama lasciva onde a água
é cristalina.
Há vidas cuja inocência pudica está comprometida pela
lasciva... A lasciva é irmã da luxúria.
É prima da burrice, porque naqueles decretos
que não fiz, fizeram tanta merda que a merda tornou-se louvável. Um guia implementando concupiscência. Afrouxando nas conveniências e criticando os remedos da própria conduta.
Esqueça-me! Diz o presente para o passado viciado e
viciante,
Estou infante em retirada das águas cristalinas tomadas pela
lasciva.
Os brâmanes devem rugir, urdir, chorar, pelas infectas
palavras que me fazem vomitar..
GRILHÕES
Quero me
libertar dos grilhões do passado
Eles me
fazem pequeno
Fazem-me parecer
bobo, inseguro, ranhento
Outros grilhões
virão
Emaranhados
naquilo que sou
Se navegar em outras águas
Em outras águas irei me afogar
Se me perder
em outros braços
Outros braços irão me afagar
Desvencilhar
dos medos que me tornam pequeno
E dos
pequenos que desvencilham meu medo.
De tantos
atalhos que procurei
De tantos
consolos que não dei
Dos pecados
ocultos que cometi
Dos pecados
que não vivi
Das mazelas
que fui venerado
E das brasas
que a água apagou
Dos tropeços
ornamentados
Dos impérios
inventados
E da fonte
que secou
Das palavras
que repercutem insanas
Das
traquinagens e ações levianas
Dos
dissonantes segredos ocultados
Do coração dilacerado
Dos medos
que a vida cavou
Das avenidas
que fazem o que sou.
Acorrentado
no que me libertou
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